Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


07/03/2007


ROMPENDO A LEI DO DESEJO

 

No final da tarde de hoje, após um estresse brutal acumulado nos últimos dias devido a um compromisso sério que tive hoje fui relaxar no melhor lugar do mundo: uma Sala de Cinema. Pensei inicialmente em ver CANDY, que era minha primeira opção, mas acabei vendo NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO, uma produção de baixo orçamento vinda da Inglaterra com a presença em cena de duas grandes atrizes britânicas: a maior atriz viva do mundo JUDI DENCH e a sempre impecável CATE BLANCHETT. Dench é a amarga e reprimida professora de história de um colégio londrino para jovens da classe operária. Fica claro seu desprezo por eles já no início do filme quando diz que todos serão futuros encanadores e vendedores. A personagem de Blanchett é Sheba, a nova professora de artes que encanta a reprimida professora de história que passa a observa-la com desejo sempre contido. Toda ação é narrada em vários offs de seu diário secreto, seu ponto de vista com comentários ácidos e cruéis sobre os colegas e sobre a família de Sheba, que é casada com um homem mais velho que ela e tem um casal de filhos: uma adolescente que se acha gorda embora não seja e um garoto gordinho super simpático com Síndrome de Down. O roteiro rapidamente nos apresenta toda ação. Temos a velha e amarga professora de história vivendo um desejo platônico pela professora de artes que vive uma aparente harmonia familiar. A grande ruptura surge quando a personagem de Dench descobre que Sheba está tendo um caso com um aluno de 15 anos de idade. Uma série de clássicos flash backs mostram como nasceu mais esse desejo interdito, rompido, dentro da trama onde todos os protagonistas desejam o “moralmente” impossível, mas não deixam de se jogar no abismo. Um jogo diabólico começa a ser jogado pela professora de história que envolve Sheba em sua obsessiva teia de neurose e sexualidade reprimida até o momento em que por uma série de artifícios da personagem de Dench o escândalo surge e o inferno se instaura na vida de Sheba. Judi Dench está incrivelmente monstruosa nesse filme, com sua máscara de dor, repressão, culpa, ódio e inveja, mas ao mesmo tempo de uma trágica e solitária sombra de uma Virgínia Woolf distante. Blanchett busca no garoto algo que nem ela compreende totalmente. Ao romper a lei do desejo e se entregar ao dionisíaco fauno ela sabe que está condenada ao abismo, mas parece ter seu desejo interdito acentuado com essa visão abissal.  Com muita dignidade Dench se entrega a essa personagem difícil que poderia render ainda mais nas mãos de um diretor mais eficiente como Stephen Frears, que transformaria Notas Sobre um Escândalo em uma Obra-Prima. O grande detalhe nostálgico é quando a professora Sheba está com seu jovem amante em um quarto após transarem ouvindo Siouxsie and The Banshes e Sheba fala: “Nossa nós a idolatrávamos...” Sheba, eu também adorava a Siouxsie...

Escrito por Marcelo Carrard às 20h02
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05/03/2007


ZINGU #6 Já está on line.

Santa Periquita do Bigode Loiro, como diria o Macaco Simão. A Revista Eletrônica ZINGU, da qual tenho a honra de fazer parte da equipe, chega ao numero SEIS, ou seja, faz meio ano que estamos no ar, brindando a convivência de criaturas muito diferentes num primeiro momento, mas que adoram Cinema, Cinema, Cinema e também música, quadrinhos, frango de padaria, pornochanchadas, Grindhouse, tubaína, discos de vinil e as críticas do grande Mestre Biáfora, nosso Mentor Espiritual, além de outras coisinhas necessárias para a vida no Planeta Terra. Nesse SEXTO numero temos muitas coisas interessantes: Um Dossiê em homenagem ao grande Mestre OZUALDO CANDEIAS: O Pasolini Paulista. Colaborei com três críticas/homenagens aos filmes O ACORDO, episódio do clássico TRILOGIA DO TERROR, CAÇADA SANGRENTA e A FREIRA E A TORTURA. Na minha Coluna CINEMA EXTREMO falo sobre o grande filme de KIM KI DUK: A ILHA. O Sérgio Andrade escreve na Coluna Subgêneros Obscuros um ensaio ilustrado com os deliciosos filmes de Vampiras Lésbicas. Voltando ao Dossiê Candeias, Fernando Roveri escreveu um belo texto sobre a Obra-Prima do Diretor: A MARGEM. Recomendo a leitura da CARTA AO LEITOR,  escrita pelo Matheus Trunk, fiquei emocionado de verdade. Filipe Chamy declara seu amor para Claudia Ohana na Coluna MUSAS ETERNAS. Tem ainda as colunas de Quadrinhos, de música, as Anti-Musas da Melody, os textos clássicos do Gabriel Carneiro, o Zingu News destacando a Biografia que está sendo escrita sobre o luxuoso SADY BABY, autor de pérolas do Cinema Nacional como: O ÔNIBUS DA SURUBA e CALOR NO BURACO. Enfim uma edição recomendada para todos, menos para aqueles que covardemente  se escondem  em apelidos apócrifos e sem inspiração, para esses mandamos a Maldição da Tubaína  do Bode Preto, um perigo...

Escrito por Marcelo Carrard às 16h38
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THREE EXTREMES-Breve Comentário...

 

Por causa de meu aniversário no dia 28 esqueci de comentar o filme que vi no Cinemax na noite do dia 27 de fevereiro: O Three Extremes, filme em episódios com a versão de 40 minutos de Dumplings de Fruit Chan, Cut de Park Chan Wook e Box de Takashi Miike. Foi interessante conferir essa versão menor de Dumplings aka Escravas da Vaidade. O trabalho hábil da edição que usou cenas inéditas, construiu uma trama tão perturbadora quanto a do longa. A cena da agulha na banheira é de causar taquicardia de horror e fascínio ao mesmo tempo, sensacional. As cenas mais extremas do longa estão lá como a sequência do aborto e a descoberta do ingrediente especial dos bolinhos.

O episódio de Park Chan Wook: CUT trabalha com questões de metalinguagem mostrando uma filmagem de um estilizado filme sobre uma vampira, cujo diretor ao retornar para casa acaba caindo em um bizarro pesadelo de tortura e horror protagonizado por um ex-figurante psicótico de um de seus filmes. A mistura de gêneros coloca em cena até um patético numero musical, mas a cena dos dedos colocados no liquidificador tem o poder de causar danos irreversíveis no cérebro de espectadores desavisados, principalmente por sua estilização quase publicitária. Por fim chega o sombrio episódio de Miike: BOX, onde vemos os traumas de uma bela mulher que no passado era contorcionista de um circo junto com a irmã gêmea. Insinuações de pedofilia, bela fotografia e direção de arte e cenas de horror estilizado fazem desse episódio um surpreendente thriller psicológico contado de maneira singular por Miike. Para os que ainda não conferiram e tem preparo emocional para enfrentar essa tripla experiência de horror extremo, Three Extremes é obrigatório.

Escrito por Marcelo Carrard às 00h00
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