ROMPENDO A LEI DO DESEJO

No final da tarde de hoje, após um estresse brutal acumulado nos últimos dias devido a um compromisso sério que tive hoje fui relaxar no melhor lugar do mundo: uma Sala de Cinema. Pensei inicialmente em ver CANDY, que era minha primeira opção, mas acabei vendo NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO, uma produção de baixo orçamento vinda da Inglaterra com a presença em cena de duas grandes atrizes britânicas: a maior atriz viva do mundo JUDI DENCH e a sempre impecável CATE BLANCHETT. Dench é a amarga e reprimida professora de história de um colégio londrino para jovens da classe operária. Fica claro seu desprezo por eles já no início do filme quando diz que todos serão futuros encanadores e vendedores. A personagem de Blanchett é Sheba, a nova professora de artes que encanta a reprimida professora de história que passa a observa-la com desejo sempre contido. Toda ação é narrada em vários offs de seu diário secreto, seu ponto de vista com comentários ácidos e cruéis sobre os colegas e sobre a família de Sheba, que é casada com um homem mais velho que ela e tem um casal de filhos: uma adolescente que se acha gorda embora não seja e um garoto gordinho super simpático com Síndrome de Down. O roteiro rapidamente nos apresenta toda ação. Temos a velha e amarga professora de história vivendo um desejo platônico pela professora de artes que vive uma aparente harmonia familiar. A grande ruptura surge quando a personagem de Dench descobre que Sheba está tendo um caso com um aluno de 15 anos de idade. Uma série de clássicos flash backs mostram como nasceu mais esse desejo interdito, rompido, dentro da trama onde todos os protagonistas desejam o “moralmente” impossível, mas não deixam de se jogar no abismo. Um jogo diabólico começa a ser jogado pela professora de história que envolve Sheba em sua obsessiva teia de neurose e sexualidade reprimida até o momento em que por uma série de artifícios da personagem de Dench o escândalo surge e o inferno se instaura na vida de Sheba. Judi Dench está incrivelmente monstruosa nesse filme, com sua máscara de dor, repressão, culpa, ódio e inveja, mas ao mesmo tempo de uma trágica e solitária sombra de uma Virgínia Woolf distante. Blanchett busca no garoto algo que nem ela compreende totalmente. Ao romper a lei do desejo e se entregar ao dionisíaco fauno ela sabe que está condenada ao abismo, mas parece ter seu desejo interdito acentuado com essa visão abissal. Com muita dignidade Dench se entrega a essa personagem difícil que poderia render ainda mais nas mãos de um diretor mais eficiente como Stephen Frears, que transformaria Notas Sobre um Escândalo em uma Obra-Prima. O grande detalhe nostálgico é quando a professora Sheba está com seu jovem amante em um quarto após transarem ouvindo Siouxsie and The Banshes e Sheba fala: “Nossa nós a idolatrávamos...” Sheba, eu também adorava a Siouxsie...





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