ATO DE VIOLÊNCIA: CRÔNICA DE UMA SESSÃO DE CINEMA
Depois da sexta-feira de chuvas intensas que atingiram São Paulo, a manhã de sábado nasceu timidamente ensolarada. Ainda vivia a emoção profunda por ter visto na pequena Sala Maria Antônia o vibrante filme de Johnny To: EXILED aka EXILADOS, um banho de talento e autoria desse que figura como o grande Mestre atual dos filmes de ação Made in China, em minha modesta opinião, claro. Caminhei até a Nove de Julho, em um atalho aqui pertinho de casa e logo peguei o Ônibus Capelinha em direção a Biblioteca Prestes Maia. A viagem durou menos de trinta minutos e logo estava em meu destino. Como nem o Vinícius e nem o Sérgio Andrade haviam chegado almocei no Mac Donald’s, naveguei pela internet por lá até um pouco antes do meio-dia. Logo o Sérgio chegou e daí conversamos muito sobre os polêmicos incidentes dos últimos dias, sobre a “Fogueira das Vaidades onde todos saíram meio chamuscados” como diria o grande amigo Cristian Verardi. Após tomarmos um cafezinho e navegarmos na net começaram a chegar as pessoas para a sessão, de início encontrei o Jorge Eduardo Rubies com um amigo, ambos do grupo de guerreiros que lutam pela preservação da Memória Arquitetônica de São Paulo, como já comentei por aqui. Preservar a Memória em país ingrato como o Brasil é uma atitude de muita coragem e que merece o respeito e o incentivo de todos. Ver, em película o grande filme de Eduardo Escorel: ATO DE VIOLÊNCIA, foi um grande prazer. A cópia estava impecável preservando a fotografia excelente do Lauro Escorel. A interpretação do Nuno Leal Maia é muito boa, mostrando sua grande versatilidade. Como a trilha-sonora do Egberto Gismonti contribuiu para a força das imagens e as tensões das personagens. As cenas noturnas na Rua do Triunfo e imediações são belas e ao mesmo tempo melancólicas. Grande filme. No intervalo antes do debate fomos tomar um café e dar uma relaxada. Foi uma emoção muito grande estar naquele palco, com a tela branca e sagrada atrás de mim, falando sobre Cinema: da imagem inaugural do Psicopata em M, de Fritz Lang, passando por vários clássicos sobre serial killers reais, desdobramentos sobre o mito de Ed Gein, um pouco de psicanálise freudiana e o Trauma da Castração simbolizado pela Medusa. Serial Killers Brasileiros e latinos, Mulheres assassinas nos filmes Gialli e na Obra de Dario Argento, análise de Ato de Violência, sua estrutura narrativa, os atores e todos os elementos fílmicos e muito mais. Os debates com o público foram ótimos e no final algumas pessoas me cumprimentaram, o que me deixou profundamente comovido. Estava com uma sede de dar uma aula, um prazer que se Deus quiser terei de volta um dia. Depois eu e o Sérgio voltamos de carona com o Jorge Rubies e o amigo Rodolfo, acho que esse é o nome do menino. Andamos por ruas paulistanas sob uma chuva fraquinha, foi prazeroso além do bate-Papo, transitar por essa cidade que eu amo cada vez mais, a cada dia que passa. Foi uma boa sessão, um bom debate. As ausências me magoaram muito na hora. O Matheus Trunk não foi por causa de um compromisso meio do truque, está me devendo essa amigo, teria sido muito legal se vc estivesse por lá hoje, o Sérgio Alpendre infelizmente não foi por causa da enorme carga de trabalho que tem lhe deixado muito cansado, cuidado rapaz, se cuide, saúde é o principal, o resto se dá um jeito. O Aguilar não foi, uma pena também, mas o Vinícius devolveu para mim seu guarda-chuva que vc esqueceu quando voltou de carona com ele, junto com a Andréa Ormond semana passada, te lembra? Agora fico por aqui, curtindo minha solidão escolhendo filmes para ver até a madrugada e me preparando para escrever meus textos para a Zingu de abril que vai ser cabulosa, aguardem...











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