Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


24/03/2007


Sobre a Sessão de A BARONESA TRANSVIADA na Biblioteca Prestes Maia e uma rodada de cervejas em homenagem a Sady Baby

 

Nesse sábado, dia 24 de março, posso definir agora, sozinho em casa diante do micro, que a tarde e o início da noite foram uma montanha-russa de emoções intensas. Da alegria a tristeza profunda muitos acontecimentos se sucederam. Cheguei na Biblioteca Prestes Maia meia hora antes da sessão e encontrei o Vinícius heroicamente fazendo malabarismos para ajeitar a cópia de A BARONESA TRANSVIADA, mas ele conseguiu, com carinho e paciência, com alguns probleminhas, nos proporcionar 110 minutos de uma chanchada deliciosa com as impagáveis performances de Dercy Gonçalves e Grande Otelo. Quanta pureza naquele humor, naquela história com requintes metalinguisticos que mostram o filme dentro do filme. Uma pontual ausência me deixou muito triste e sem esperanças de ter meu coração novamente invadido de vida, de um desejo de acreditar que pode ser possível, mas o cinema, a magia daquela sessão que seria a última de A BARONESA TRANSVIADA por causa da cópia, me devolveu por alguns momentos a crença de que aquele momento era único, mágico, todos estávamos lá, vendo um filme apaixonante, todos unidos por uma mesma paixão. Mas a alegria e a emoção voltaram quando começou o debate com o Matheus Trunk e o Mauro Alice. Foi muito divertido. O Matheus estava um pouco ansioso, mas surpreendeu a todos com seus conhecimentos sobre Cinema Brasileiro e a paixão com a qual o defende. O Mestre Mauro Alice deu uma aula de cinema, falou dos bastidores do filme, sobre a Dercy Gonçalves, sobre o incêndio que aconteceu no meio das filmagens, mas principalmente sobre a Montagem, sua visão desse elemento vital para a criação de uma Obra Audiovisual. Foram palavras sábias de um artista com uma obra vasta e com seus 81 anos de vida e mais de 60 filmes montados, nos ensinou muito sobre cinema, com sabedoria e humildade. Foi muito emocionante para mim ouvir as palavras do Mauro Alice, palavras que demonstram o que verdadeiramente pode ser denominado de Cinefilia. Depois rolaram as fotos, eu conheci a mãe do Matheus que estava por lá, muito querida, conheci o Gil, aquele jornalista que está escrevendo a biografia do “Joe D’Amato da Boca do Lixo” SADY BABY e em seguida fomos eu o Gil e o Matheus em direção a Rua Augusta para sentarmos em um boteco, tomarmos umas cervejas e conversarmos muito sobre cinema, claro que Sady Baby foi o assunto principal. Foi muito engraçado, rimos muito entre uma cerveja e outra. São impressionantes as histórias sobre as produções do Sady, principalmente de determinadas figuras que participaram de seus filmes e que são até bem conhecidas, babado fortíssimo. Me lembro de uma visão bizarra há muitos anos atrás, em Porto Alegre, quando o Sady estava em cartaz com uma Peça Pornô no finado Cine Lido intitulada: "O Chimarrão que dá Tesão". Ele, a atriz principal e namorada, e um anão, que não era o Chumbinho, saíam no meio da tarde para fazer um lanchinho. O Sady saía vestido de sunga com um chapéus com uns chifres na cabeça e a atriz de vestido transparente só de calcinha e era um escândalo, imaginem esse trio em plena região central da cidade, o povo não acreditava no que via, sensacional... Depois do bar fui para casa e agora estou aqui, num estado meio, como direi, híbrido. Como comentei essa semana por aqui, nas duas últimas semanas meu coração estava batendo mais forte. Agora, parafraseando aquele filme francês lindo: “De tanto bater meu coração parou...” Felizmente estou atolado de trabalho até dia 30 e mil pepinos para resolver, não vou ter tempo para pensar em coisas que parecem impossíveis para mim como amor, bem estar, felicidade, coisas comuns para a maioria das criaturas terrenas. Mas o que vai se fazer, não é mesmo. Vamos ver o que acontece nos próximos episódios dessa nova temporada. E claro, um beinde a Sady Baby e suas criações fenomenais como No Calor do Buraco e o Ônibus da Suruba...

Escrito por Marcelo Carrard às 22h20
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23/03/2007


MAIS UMA RARIDADE  DO CINEMA BRASILEIRO NA BIBLIOTECA PRESTES MAIA

 

Nesse sábado, dia 24, ás 13 h, prossegue a Mostra de Raridades do Cinema Nacional organizada pelos amigos Sérgio Andrade e Vinícius Del Fiol. O filme desse sábado será A BARONESA TRANSVIADA, 1957. de Watson Macedo, com Grande Otelo e Dercy Gonçalves. A palestra após o filme dessa vez será do meu grande amigo Matheus Trunk, uma figuraça que dispensa comentários e do Mestre Mauro Alice, montador do filme em sua segunda participação nessa Mostra, a primeira fói no debate que se seguiu após a exibição de Palácio dos Anjos do Khouri, já comentada e ilustrada por aqui. Uma oportunidade rara de ver, em película, um clássico do Cinema Brasileiro. Semana que vem, dia 31, o Matheus volta como debatedor após a exibição do luxuoso ANJO LOIRO do Mestre Alfredo Sternheim, que estará presente no debate ao lado do Matheus, fechando muito bem essa Mostra que trouxe fortes emoções cinéfilas aos que dela participaram...

Escrito por Marcelo Carrard às 13h23
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21/03/2007


A MARIA ANTONIETA DE SOFIA COPPOLA

 

Depois de um longo tempo de espera finalmente chegou ao Brasil o mais recente filme de minha amada, idolatrada SOFIA COPPOLA: O Anti-Filme Histórico MARIA ANTONIETA.Vaiado por parte do público em Cannes e rejeitado pelo público redneck norte-americano, o filme me surpreendeu por uma infinidade de bons motivos. Primeiramente é maravilhoso ver um filme com uma atriz visivelmente á vontade em cena como a Kristin Dunst, interpretando a polêmica Rainha da França  Maria Antonieta. Outras mulheres notáveis surgem em cena como a divina Marianne Faithfull e a Scream Queen Asia Argento no papel da poderosa cortesã Madame du Barry. O filme, em uma primeira-parte mostra com requintada fotografia e direção de arte o trajeto da adolescente Maria Antonieta saindo da Áustria para se casar com o filho do Rei Luís XV, o Príncipe da França chamado de Delfim. A trama é encenada em locações no Palácio de Versallies nos arredores de Paris e vemos o suave desfile de um magnífico figurino confeccionado pela veterana Milena Canonero, colaboradora do Mestre Stanley Kubrick. Para compor o roteiro Sofia bebeu das fontes de Mestres como Visconti e Lean, além do já citado Kubrick. Mas o resultado final revela ao espectador uma leitura muito sensível e pessoal da história dessa menina que é obrigada a selar um acordo entre os reinos da França e da Áustria, dando um herdeiro homem para suceder o trono da França. É muito bela a seqüência onde Maria Antonieta está a caminho de seu novo lar onde irá conhecer o futuro noivo. Sua nova criada a despe e a obriga a esquecer seu passado, suas amigas, seu cãozinho como se o ato de se despir a transformasse em uma mulher naquele momento. Kristin encarna muito bem essa mudança, consegue ser a menina e a mulher de uma seqüência a outra com muita sensibilidade. A opção pela criação de uma obra neobarroca é muito bem finalizada pela diretora. Vemos nessa primeira parte, que vai até o nascimento do filho da cunhada de Maria Antonieta, onde as músicas do New Order tocam, misturadas a alguns temas clássicos. Na segunda parte do filme a  proposta neobarroca fica mais evidenciada não só pela trilha-sonora pop-rock, mas na própria edição e nos enquadramentos do filme. A seqüência do Baile de Máscaras ao som de Hong Kong Garden da Siouxsie and The Banshes é sensacional, fiquei muito emocionado com a citação musical da Sofia, aliás ela sabe muito bem escolher as músicas de seus filmes, é só se lembrar do final de Lost in Translation ao som de Just Like Honey do Jesus and Mary Chain. Visualmente encantador Maria Antonieta é um deleite para os sentidos, embora seja na minha opinião o projeto mais pessoal e hermético de Sofia Coppola, indicado realmente para um grupo seleto de cinéfilos. Mesmo sendo uma grande produção, fica claro que ela não quis fazer grandes concessões ao público, não quis fazer um filme popularesco. Um filme que precisa ser descoberto sem preconceitos. Pena que a misoginia ainda seja uma realidade na produção audiovisual, principalmente nos EUA. Se tivesse sido um homem o diretor de Maria Antonieta era capaz de ter concorrido ao Oscar de Melhor filme e direção. Kristin Dunst e sua interpretação luminosa deveriam ter sido mais reconhecidas. Foi um grande prazer ver Maria Antonieta, ainda mais com o direito a uma canção rara do The Cure nos créditos finais...

Escrito por Marcelo Carrard às 19h21
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20/03/2007


BOAS NOVAS NO INÍCIO DO NOVO ANO ASTROLÓGICO

 

E boas vibrações estão pairando no ar fazendo até milagres cinematográficos. O clima ontem já era de harmonia. Falei por telefone cm a querida amiga Andréa Ormond e trocamos confidências sobre a vida e sobre amores possíveis, foi ótimo. Só adianto que meu coração tem batido mais forte nas duas últimas semanas, vamos ver o que o destino me reserva... Valeu pelo bate-papo Andréa, foi bom compartilhar com vc assuntos tão caros para mim como a amizade, o trabalho e o amor. Hoje, em torno de 21h dependendo da região do país, começa o Novo Ano Astrológico, na véspera da entrada nos céus do signo de ÁRIES. Arianos muito queridos farão aniversário em breve como o Leandro Caraça, o Matheus Trunk, o Domingos Ruiz Jr entre outros. Para signos muito estimados como CÂNCER, dos amigos Beto Gomes, Edu Aguilar e Ranieri Rizza, a amizade e seu fortalecimento terá um grande destaque esse ano para realização de projetos, assim como LEÃO. Para meu signo: PEIXES é preciso fixar as raízes e colher bons frutos com esse amadurecimento nos próximos meses. Depois de minha conquista árdua do Atestado de Proficiência em Língua Italiana pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo nos últimos dias, meu Doutorado agora vai caminhando para os meses finais, Graças a Deus. E milagres ocorrem com essas mudanças astrológicas. Ontem fiquei sabendo pelo amigo de Porto Alegre: Cristian Verardi, que a EUROPA FILMES vai distribuir GRINDHOUSE no Brasil em seu formato original, com o Programa Duplo, que beleza. E para coroar tudo o amigo Sérgio Andrade viu  nesse fim de semana no Cinemark do Shopping Metrô Santa Cruz, o cartaz do Hit sul-coreano THE HOST, que vai se chamar O HOSPEDEIRO. Good Vibes for all...

Escrito por Marcelo Carrard às 09h07
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18/03/2007


NOTAS SANGRENTAS:

Com exclusividade o Site Boca do Inferno tem o cartaz e muitas informações quentinhas sobre o aguardado SAW 4 aka JOGOS MORTAIS 4, veja abaixo o tal Cartaz que é bem diferente dos outros...

 

E o homem que criou JOGOS MORTAIS, o talentoso Diretor James Wan, lança, ao lado do mesmo roteirista de SAW, seu novo filme que promete ser bem interessante: DEAD SILENCE, com uma trama sobrenatural envolvendo um sinistro boneco de Ventríloquo.

 

E a nota baixo astral eu li no Blog do Leandro Caraça. Parece que a Produtora Italiana Medusa quer fazer cortes em LA TERZA MADRE do Mestre Dario Argento. Que baixaria, pensei que só produtores americanos faziam essas coisas, uma pena. O lançamento agora ficou para o Halloween desse ano.

Escrito por Marcelo Carrard às 20h46
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