Sobre a Sessão de A BARONESA TRANSVIADA na Biblioteca Prestes Maia e uma rodada de cervejas em homenagem a Sady Baby
Nesse sábado, dia 24 de março, posso definir agora, sozinho em casa diante do micro, que a tarde e o início da noite foram uma montanha-russa de emoções intensas. Da alegria a tristeza profunda muitos acontecimentos se sucederam. Cheguei na Biblioteca Prestes Maia meia hora antes da sessão e encontrei o Vinícius heroicamente fazendo malabarismos para ajeitar a cópia de A BARONESA TRANSVIADA, mas ele conseguiu, com carinho e paciência, com alguns probleminhas, nos proporcionar 110 minutos de uma chanchada deliciosa com as impagáveis performances de Dercy Gonçalves e Grande Otelo. Quanta pureza naquele humor, naquela história com requintes metalinguisticos que mostram o filme dentro do filme. Uma pontual ausência me deixou muito triste e sem esperanças de ter meu coração novamente invadido de vida, de um desejo de acreditar que pode ser possível, mas o cinema, a magia daquela sessão que seria a última de A BARONESA TRANSVIADA por causa da cópia, me devolveu por alguns momentos a crença de que aquele momento era único, mágico, todos estávamos lá, vendo um filme apaixonante, todos unidos por uma mesma paixão. Mas a alegria e a emoção voltaram quando começou o debate com o Matheus Trunk e o Mauro Alice. Foi muito divertido. O Matheus estava um pouco ansioso, mas surpreendeu a todos com seus conhecimentos sobre Cinema Brasileiro e a paixão com a qual o defende. O Mestre Mauro Alice deu uma aula de cinema, falou dos bastidores do filme, sobre a Dercy Gonçalves, sobre o incêndio que aconteceu no meio das filmagens, mas principalmente sobre a Montagem, sua visão desse elemento vital para a criação de uma Obra Audiovisual. Foram palavras sábias de um artista com uma obra vasta e com seus 81 anos de vida e mais de 60 filmes montados, nos ensinou muito sobre cinema, com sabedoria e humildade. Foi muito emocionante para mim ouvir as palavras do Mauro Alice, palavras que demonstram o que verdadeiramente pode ser denominado de Cinefilia. Depois rolaram as fotos, eu conheci a mãe do Matheus que estava por lá, muito querida, conheci o Gil, aquele jornalista que está escrevendo a biografia do “Joe D’Amato da Boca do Lixo” SADY BABY e em seguida fomos eu o Gil e o Matheus em direção a Rua Augusta para sentarmos em um boteco, tomarmos umas cervejas e conversarmos muito sobre cinema, claro que Sady Baby foi o assunto principal. Foi muito engraçado, rimos muito entre uma cerveja e outra. São impressionantes as histórias sobre as produções do Sady, principalmente de determinadas figuras que participaram de seus filmes e que são até bem conhecidas, babado fortíssimo. Me lembro de uma visão bizarra há muitos anos atrás, em Porto Alegre, quando o Sady estava em cartaz com uma Peça Pornô no finado Cine Lido intitulada: "O Chimarrão que dá Tesão". Ele, a atriz principal e namorada, e um anão, que não era o Chumbinho, saíam no meio da tarde para fazer um lanchinho. O Sady saía vestido de sunga com um chapéus com uns chifres na cabeça e a atriz de vestido transparente só de calcinha e era um escândalo, imaginem esse trio em plena região central da cidade, o povo não acreditava no que via, sensacional... Depois do bar fui para casa e agora estou aqui, num estado meio, como direi, híbrido. Como comentei essa semana por aqui, nas duas últimas semanas meu coração estava batendo mais forte. Agora, parafraseando aquele filme francês lindo: “De tanto bater meu coração parou...” Felizmente estou atolado de trabalho até dia 30 e mil pepinos para resolver, não vou ter tempo para pensar em coisas que parecem impossíveis para mim como amor, bem estar, felicidade, coisas comuns para a maioria das criaturas terrenas. Mas o que vai se fazer, não é mesmo. Vamos ver o que acontece nos próximos episódios dessa nova temporada. E claro, um beinde a Sady Baby e suas criações fenomenais como No Calor do Buraco e o Ônibus da Suruba...








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