SEXTA-FEIRA 13 COM A MARIA DE ABEL FERRARA

Planejava escrever outro tipo de Post hoje, mas acabo de chegar em casa após ter visto MARIA do Abel Ferrara aqui perto no Unibanco Arteplex. Finalmente, depois de inúmeras sessões especiais e mostras esse filme absolutamente perturbador estréia comercialmente nos cinemas tupiniquins. Estou profundamente abalado com a experiência singular de ver essa obra do Ferrara. Um dos meus heróis, esse diretor sempre consegue fazer de seus filmes grandes provocações, onde ele ousa ariscar, ousa se jogar no abismo sem fazer concessões ao público e a crítica, coisa rara na produção audiovisual contemporânea, repleta de medrosos, caretas e reprimidos. Nessa provocação intitulada MARIA temos uma série de elementos colocados durante os pouco mais de 80 minutos de projeção, muito bem trabalhados numa aula de verdadeira autoria. A trama gira em torno de um filme sobre a vida de Jesus, chamado “Esse é o meu Sangue”, onde o diretor interpretado por Mathew Modine faz o papel do Cristo ao lado de Marie, uma atriz que se transforma radicalmente após as filmagens interpretada por Juliete Binoche. Temos um apresentador de tv interpretado por Forest Whitaker, que entrevista pessoas ligadas a diversos aspectos da religião e que falam sobre Jesus e Maria Madalena. A Maria do título não é uma refrência a Mãe de Jesus e sim a polêmica figura da Maria Madalena, personagem de Marie. Vemos diferentes interfaces se mostrando desde momentos documentais, com os depoimentos reais dos entrevistados do programa de Whitaker até cenas de não-atores encenado suas práticas religiosas ou aparecendo em cenas de telejornais. Temos em pauta a questão da fé, da intolerância, da censura, da vida e da morte. Ferrara sempre teve essas expiações católicas e os questionamentos sobre a culpa e a redenção, desde seu primeiro longa: O Assassino da Furadeira, onde vemos um claro exemplo dessa expiação religiosa na cena de abertura. Muitos já falaram coisas brilhantes sobre Maria, desde o ano passado, como o André ZP, o Milton do Prado, o Marcelo V. É um filme de seqüências luminosas, onde somos provocados, questionados e o melhor de tudo SURPREENDIDOS com uma Obra de Arte simples em termos formais, mas ao mesmo tempo profunda e muito perturbadora. Creio que com a idade e o sofrimento acabei me emocionando muito mais do que a média dos amigos que já tiveram o privilégio de conhecer a Maria do Mestre Ferrara. Um filme urgente que não menospreza a inteligência do espectador em nenhum momento. Teria mais coisas a acrescentar mas no momento a emoção ainda persiste. Ufa... precisava escrever algo sobre essa grande experiência cinematográfica no calor da emoção, pois quem me conhece sabe que eu só acredito na emoção, na sua sinceridade. E como, para variar, fui ver o filme sozinho e abandonado, por aqui vejo uma forma de discutir o filme. Mesmo assim a solidão e a sua força esmagadora tem me ensinado muita coisa e no final vou sair melhor do que antes e no mínimo sabemos quem são os amigos de verdade nessas horas. Por falar em amigos, no momento em que esse Post entra no ar, os felizardos freqüentadores da Sessão Raros em Porto Alegre devem estar se deliciando com as imagens vampirescas do filme escolhido para abrilhantar essa sexta-feira 13. Depois todos devem ir para a Cidade Baixa tomar muitas garrafas da minha saudosa cerveja Polar. Divirtam-se crianças. E Thomaz, por favor mande notícias seu ingrato, he he he...

















Leia este blog no seu celular