Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


21/04/2007


ROSSO COME IL CIELO aka VERMELHO COMO O CÉU

 

A noite de sexta, dia 20, foi animada. Por aqui me diverti muito vendo no Canal Brasil a Produção Exploitation Made in Boca do Lixo:  LILIAM, A SUJA, do Meliande. Muito interessante, tosco, mas genial ao contar a história de uma mulher que seduz, transa  e mata vários “tiozinhos” ricos como uma espécie de vingança dos maus tratos do chefe cafajeste. Semana que vem o Canal Brasil apresenta o sensacional ESCOLA PENAL PARA MENINAS VIOLENTADAS, clássico WIP feito na Boca do Lixo que marca a estréia de Nicole Puzzi no cinema. Nessa mesma noite de sexta-feira o público fiel da Sessão Raros em Porto Alegre viu Pepping Tom de Michael Powel, numa cópia cedida generosamente pelo Carlão Reichenbach, com legendas em português do Leopoldo Tauffenbach, a mesma que passou na Sessão Comodoro de fevereiro. Deve ter sido muito legal, com certeza.

Nesse sábado, após um temporal que refrescou a tarde muito quente, fui até o Cinesesc para conferir o filme italiano VERMELHO COMO O CÉU. Me sinto muito bem no Cinesesc, como se estivesse em casa. A atmosfera era de muita harmonia nessa tarde e muita gente apareceu por lá na sessão das 17h. A comunidade italiana muito simpática compareceu em peso. Como estava sozinho me sentei no meu lugar tradicional nessas ocasiões no Cinesesc: na terceira fila, no corredor à esquerda. No Cinejornal, antes do filme passou um perfil da obra do Carlão Reichenbach, com depoimentos dele e cenas de vários filmes onde foi citada a Sessão Comodoro, muito legal. O filme então começa. VERMELHO COMO O CÉU, para os que não sabem, conta a história real de Mirco Ballere, um famoso Editor de Som  muito prestigiado dentro do Cinema Italiano.  Em 1970, quando ele tinha 10 anos, vivia com os pais em uma cidadezinha perto de Pisa, na Toscana. Fascinado por cinema, uma paixão compartilhada com o pai, ele vivia uma vida normal até o dia em que sofre um acidente e perde parcialmente a visão. Por uma questão de adaptação na escola Mirco é obrigado a estudar em um internato para meninos cegos em Gênova. Sua chegada nesse local triste, dominado por um Diretor amargo e insensível, é marcada de muitas descobertas. Numa seqüência de intensa sensibilidade Mirco explica a um colega, Felice, cego de nascença, como são as cores. Eles estão em cima de uma árvore e Mirco fala que o marrom é como o tronco da árvore, fala do mar e do vento e diz que o vermelho é como o fogo, mas também como o céu ao entardecer. São imagens construídas pelo discurso da personagem, mas que nos fazem criar essas imagens na mente. Ao descobrir um gravador ele começa a captar os sons da natureza e sozinho, enxergando pouco, consegue editar uma seqüência de sons que lembram o início e o fim de uma tempestade. A repressão do Diretor é severa mas seu professor Don Giulio o incentiva como um professor de verdade, de grande caráter e amor pelo magistério. Mirco também descobre o primeiro amor e mostra aos colegas uma viagem sensorial que representa de maneira impressionante o poder transformador do cinema, do que está invisível, do que está além. Simplesmente VERMELHO COMO O CÉU é uma Obra-Prima, um exercício nobre de sensibilidade cinematográfica. Após a sessão saí do cinema secando as lágrimas e recebendo no rosto o vento do início da noite misturado com alguns pingos de chuva. O mundo me pareceu mais belo após ver esse filme, muito mais belo do que antes...

Escrito por Marcelo Carrard às 20h44
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19/04/2007


SESSÃO DUPLA MADE IN UK: VENTOS DE LIBERDADE aka THE WIND THAT SHAKES THE BARLEY de KEN LOACH, e SUNSHINE de DANNY BOYLE

 

Ainda sob a emoção do Post anterior aproveitei essa quinta-feira para ver dois filmes britânicos muito diferentes, aproveitando a promoção do Unibanco Arteplex com ingressos Inteiros ao preço de QUATRO REAIS, todas as quintas-feiras de abril. O Espaço Unibanco da Rua Augusta também está com essa promoção. Iniciei a jornada vendo o filme vencedor da última Palma de Ouro: Ventos de Liberdade, dirigido por um de meus diretores favoritos: Ken Loach. Loach é talvez um dos únicos cineastas realmente de Esquerda da atualidade. Seu discurso, porém, está muito bem adaptado para a realidade ambígua que a política atingiu nessa Era da Globalização. No caso de seu belo filme premiado em Cannes ano passado vemos alguns episódios encenados na Irlanda de 1920, onde a opressão do Império Britânico gera o crescimento de revoltas populares, com destaque para o conhecido grupo terrorista católico IRA. Na verdade os ingleses oprimiam a Irlanda desde o Séc XIII. As feridas sempre abertas aparecem no filme sob a forma de violentas torturas, conflitos armados, crueldades absurdas, mas ao mesmo tempo muita esperança, fé e uma pureza nos atos revolucionários que não existe mais nos dias de hoje. O elenco é excelente e o filme tem grandes momentos como a emboscada contra os soldados ingleses, as discussões políticas emocionantes, a cena da tortura com o alicate, as belas locações e seus minutos finais que são de uma força destruidora, digna de clássicos como A Noite de São Lourenço e Giordano Bruno. O filme de Loach é uma experiência emocionante, sem dúvida. Mesmo para os que são de uma geração mais recente, que não tiveram uma formação de Esquerda na juventude como eu e tantos amigos, Loach discute o mais sagrado dos direitos do ser humano: a liberdade...

 

Depois de me emocionar com o filme do Loach, embarquei na espaçonave de Danny Boyle rumo ao Sol. Visualmente SUNSHINE é uma experiência rara. Boyle trabalha com elementos clássicos da Ficção Científica: O Computador que age de maneira estranha como o de 2001, o perigo de uma entidade misteriosa como em Alien, a Missão que parte para descobrir o que houve com a missão anterior que desapareceu misteriosamente como em Missão Marte e tantos outros e por aí vai. A missão dos astronautas de Sunshine é lançar uma bomba no Sol que está esfriando. A direção de arte e a fotografia são deslumbrantes e a trama é de uma ação quase ininterrupta. Boyle procurou dentro do que é possível em um filme de um gênero consagrado, o máximo de inovações estéticas. A roupa dourada dos astronautas quando saem da nave cria um efeito quase mitológico nesses homens que estão em uma nave chamada Ícaro, nome de um mito grego clássico que representa o desejo do homem de subir aos céus e atingir o Sol. O filme chega a trabalhar com elementos de horror em sua parte final e fica claro que Boyle teve liberdade de criação. O final é muito interessante e como de costume o filme tem uma ótima trilha-sonora, uma marca dos filmes desse diretor britânico. Sunshine é um presente para os sentidos. Recomendo que vejam esse filme em um cinema grande e com boa projeção e som Dolby Digital perfeito.

 

PS: E essa semana vi nas bancas a nova PAISÀ, com o grande JOHN CASSAVETES na capa ao lado de sua grande Musa. Com uma capa dessas nem preciso comentar mais nada. Viva Cassavetes...

Escrito por Marcelo Carrard às 20h27
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17/04/2007


MONDO PAURA: 95000 ACESSOS

 

Fiquei muito emocionado quando vi hoje o counter do Blog marcando 95000 acessos, em uma semana onde tive, como comentei no Post abaixo, motivos para me sentir muito feliz depois de muito, muito tempo. Com algumas lágrimas nos olhos faço agora um relato que é um misto de expiação, esclarecimento e celebração da vida e do Cinema. Não consigo imaginar a minha vida sem o Cinema e sei que a maioria dos leitores desse humilde e estranho Blog também compartilham desse mesmo sentimento. Quase completando três anos o Mondo Paura e seu Editor, no caso eu mesmo, passou por muitas reviravoltas. Conheci pessoas incríveis de várias partes do país e até recebi visitas de fora do Brasil. No início era um mundo totalmente desconhecido e de repente veio o Quepe do Comodoro, aquela noite inesquecível, a foto ao lado do Marcelo Miranda e os posteriores contatos não-virtuais com muitas figuras que se tornaram grandes amigos. Mas a vida tem suas armadilhas, suas encruzilhadas, e muitos se perderam, se separaram mas ao mesmo tempo novas personagens surgiram, muitas ainda virtuais. Me lembro de todos, de cada um. Para os que me conhecem de antes do Blog, amigos antigos, sabem que já passei por barras pesadíssimas, muitas bem recentes e sempre saí melhor de cada batalha. Por isso AILTON MONTEIRO,  continue exercitando a sua emoção, pois enquanto existe emoção temos força para derrubar muralhas, cruzar desertos, e aprender a viver da melhor maneira possível: um dia de cada vez. Muita saúde filho... Claro que a vida nem sempre é como planejamos, mas a gente sempre tem o dia seguinte zerado pra recomeçar. Desses 95 mil acessos, cada um deles é muito bem recebido, vibro muito com cada comentário, vocês nem imaginam. Para os que sumiram faz tempo deixo as portas do Blog sempre abertas e para os que nunca deixaram de dar seu recado por aqui digo o mesmo. Muito Obrigado. 95 mil acessos, Nossa Senhora da Aparecida, é muita gente... Bendita Primeira Sessão Dupla do Comodoro onde decidi, após de ser “atropelado” por SANTA SANGRE e CANNIBAL HOLOCAUST, fazer o tal do Blog, sem saber direito o que era, pois sou um rapaz de outra época, que fez curso de datilografia no Senac, que lia a Cinemin toda vez que chegava nas bancas, que viu TUBARÃO no cinema, no ano de sua estréia mundial, essas coisas... he he he... Desculpem alguma coisa, mas infelizmente não sou perfeito e sinto desaponta-los, pois  devo continuar cometendo erros e acertos com qualquer um de vocês. Estou emocionado demais para continuar escrevendo. Um grande abraço meninos e meninas, a gente se fala em breve...

Escrito por Marcelo Carrard às 23h05
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16/04/2007


BALAIO DE FILMES

 

Comparado com os últimos tempos essa semana começou muito bem para mim, com confirmações importantes e resoluções de problemas sérios. Só falta o novo amor, mas daí é com o Destino. Hoje vasculhei o “Balaio de Filmes” que estão em oferta nas Lojas Americanas e aproveitei para adquirir DVDs que eu não tinha na minha coleção e que são itens preciosos. Para minha surpresa achei em primeiro lugar o DVD com Edição de Colecionador do fabuloso: VIVER E MORRER EM LOS ANGELES, com bons extras. Esse filme foi muito marcante para mim em uma época saudosa quando via filmes em VHS e nos finais de semana eu e meu saudoso Tio Paulo Roberto escolhíamos a dedo o que veríamos em casa. Meu Tio adorava esse filme, me lembro que a primeira vez que o vimos ficamos chapados e vimos de novo em seguida. Aquela trilha-sonora espetacular, aquela edição, aquela fotografia, tudo no filme tem um poder em suas imagens que hoje, depois de muitos anos, revi o filme e senti as mesmas emoções de tempos atrás. Saudades do meu Tio que partiu em 93 me deixando como herança a Cinefilia Extrema. Outro DVd que eu achei no balaio de ofertas foi o excelente Giallo de Eros Pugliese OLHOS MORTAIS. O DVD tem um ótimo Making Off desse filme de imagens fortes com uma música excelente que mistura elementos eletrônicos com cantos medievais, um Giallo soberbo sem dúvida. Depois achei os dois RINGU japoneses e a festa estava feita. Gastei menos do que em uma Balada em São Paulo. Estou aos poucos trocando velhas cópias em VHS pelos DVDs, tenho muita coisa em VHS com ótima imagem, mas falta copiar para DVD e não tenho como fazer ainda, mas um dia eu faço. Pena que até agora não consegui recuperar quatro filmes preciosos de minha Coleção que emprestei para um “amigo”  já faz QUATRO MESES, e está difícil de vê-los de volta, uma pena, emprestei com todo carinho, numa embalagem ótima, mas infelizmente até agora só o silêncio... Para amenizar um pouco as coisas e continuar o astral elevado do início dessa semana acabei de ver no Max Prime a deliciosa Pérola B dos anos 80: CRITTERS. Que maravilha, quantas lembranças boas... Aqueles monstrengos extra-terrestres são uma espécie de “Primos Bagaceiras” dos queridos Gremlins. O Guerreiro ET que se transforma em um vocalista de uma Banda New Wave é sensacional e os monstrengos são muito divertidos e cínicos. Foi um bom início de semana, espero que agora a tempestade perca a força, acho que eu mereço esses dias de sol que se aproximam, e se o Destino conspirar, serão dias de sol em boa companhia...

Escrito por Marcelo Carrard às 22h53
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15/04/2007


O NOVO ENDEREÇO DO PROJETO 365

 

Em um cada vez mais raro exercício de generosidade entre os integrantes da Blogosfera Cinematográfica, fui convidado pelo ESTEVÃO AUGUSTO para colaborar com o CINEPROJETO 365. Antes de tudo muito obrigado Estevão. Já está no ar faz  pouco tempo minha primeira colaboração com uma resenha do maravilhoso Giallo de PUPI AVATI The House with Laughing Windows. O site agora está hospedado em outro endereço e pode ser visualizado até por assinantes da Uol, que estava meio que bloqueando o antigo endereço.

Para acessar é só clicar:

http://cineprojeto365.astralwebhost.org/

 

E clicar sobro o logotipo.

 

Outro endereço interessante e recente é o FILMESCÓPIO:

http://filmescopio.blogspot.com

 

 

Outros endereços ainda faltam ser linkados mas aos poucos vamos divulgando cada um deles.

Escrito por Marcelo Carrard às 22h12
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