ROSSO COME IL CIELO aka VERMELHO COMO O CÉU

A noite de sexta, dia 20, foi animada. Por aqui me diverti muito vendo no Canal Brasil a Produção Exploitation Made in Boca do Lixo: LILIAM, A SUJA, do Meliande. Muito interessante, tosco, mas genial ao contar a história de uma mulher que seduz, transa e mata vários “tiozinhos” ricos como uma espécie de vingança dos maus tratos do chefe cafajeste. Semana que vem o Canal Brasil apresenta o sensacional ESCOLA PENAL PARA MENINAS VIOLENTADAS, clássico WIP feito na Boca do Lixo que marca a estréia de Nicole Puzzi no cinema. Nessa mesma noite de sexta-feira o público fiel da Sessão Raros em Porto Alegre viu Pepping Tom de Michael Powel, numa cópia cedida generosamente pelo Carlão Reichenbach, com legendas em português do Leopoldo Tauffenbach, a mesma que passou na Sessão Comodoro de fevereiro. Deve ter sido muito legal, com certeza.
Nesse sábado, após um temporal que refrescou a tarde muito quente, fui até o Cinesesc para conferir o filme italiano VERMELHO COMO O CÉU. Me sinto muito bem no Cinesesc, como se estivesse em casa. A atmosfera era de muita harmonia nessa tarde e muita gente apareceu por lá na sessão das 17h. A comunidade italiana muito simpática compareceu em peso. Como estava sozinho me sentei no meu lugar tradicional nessas ocasiões no Cinesesc: na terceira fila, no corredor à esquerda. No Cinejornal, antes do filme passou um perfil da obra do Carlão Reichenbach, com depoimentos dele e cenas de vários filmes onde foi citada a Sessão Comodoro, muito legal. O filme então começa. VERMELHO COMO O CÉU, para os que não sabem, conta a história real de Mirco Ballere, um famoso Editor de Som muito prestigiado dentro do Cinema Italiano. Em 1970, quando ele tinha 10 anos, vivia com os pais em uma cidadezinha perto de Pisa, na Toscana. Fascinado por cinema, uma paixão compartilhada com o pai, ele vivia uma vida normal até o dia em que sofre um acidente e perde parcialmente a visão. Por uma questão de adaptação na escola Mirco é obrigado a estudar em um internato para meninos cegos em Gênova. Sua chegada nesse local triste, dominado por um Diretor amargo e insensível, é marcada de muitas descobertas. Numa seqüência de intensa sensibilidade Mirco explica a um colega, Felice, cego de nascença, como são as cores. Eles estão em cima de uma árvore e Mirco fala que o marrom é como o tronco da árvore, fala do mar e do vento e diz que o vermelho é como o fogo, mas também como o céu ao entardecer. São imagens construídas pelo discurso da personagem, mas que nos fazem criar essas imagens na mente. Ao descobrir um gravador ele começa a captar os sons da natureza e sozinho, enxergando pouco, consegue editar uma seqüência de sons que lembram o início e o fim de uma tempestade. A repressão do Diretor é severa mas seu professor Don Giulio o incentiva como um professor de verdade, de grande caráter e amor pelo magistério. Mirco também descobre o primeiro amor e mostra aos colegas uma viagem sensorial que representa de maneira impressionante o poder transformador do cinema, do que está invisível, do que está além. Simplesmente VERMELHO COMO O CÉU é uma Obra-Prima, um exercício nobre de sensibilidade cinematográfica. Após a sessão saí do cinema secando as lágrimas e recebendo no rosto o vento do início da noite misturado com alguns pingos de chuva. O mundo me pareceu mais belo após ver esse filme, muito mais belo do que antes...








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