Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


28/04/2007


O SEXO E A FÚRIA DE NORIFUMI SUZUKI

 

Acordei nesse sábado frio aqui em São Paulo ainda sob os efeitos do inacreditável WIP nacional ESCOLA PENAL DE MENINAS VIOLENTADAS, uma produção do Galante dirigida e fotografada pelo Meliande, simplesmente genial, eles beberam da fonte européia dos melhores WIP de Franco e até de Nunexploitations pois no filme  a tal Escola Penal é comandada por uma Freira sádica que curte tortura, sadomasoquismo e perversões em geral. A tarde solitária me fez assistir a algo que me trouxesse alguma alegria sincera e me iluminasse essa solidão, essa melancolia que tem me invadido nos últimos dias. Então escolhi outra pérola recente de minha coleção: SEX AND FURY, dirigido pelo meu adorado Mestre NORIFUMI SUZUKI, responsável por clássicos obrigatórios já comentados por mim aqui e em outros lugares como: BEAUTIFUL GIRL HUNTER e CONVENT OF THE SACRED BEAST. Suzuki já demonstra toda a sua genialidade de um grande esteta na abertura do filme onde vemos em um túnel avermelhado uma menininha presenciando a morte do pai, um detetive, por criminosos ligados ao tráfico de ópio. Temos nessa primeira seqüência o clássico elemento da futura vingança que virá 20 anos depois. A menininha cresceu e se transformou em Ochô, uma sensual vingadora interpretada pela lendária atriz REIKO IKE, uma das musas dos estúdios da TOEI no qual Norifumi Suzuki foi um dos pioneiros em contar histórias extremas de sexo e sangue, sempre com muitas “meninas malvadas”. È muito belo o momento em que Ochô sai nua de uma banheira e em câmera lenta luta com sua espada, eliminando um bando de homens. Sua imposição surge através da beleza e poder de sedução do corpo e da violência moldada por anos de espera para consumar sua vingança. A outra presença feminina do filme é uma espiã inglesa interpretada pela deslumbrante atriz sueca CHRISTINA LINDBERG, sim, a protagonista do Clássico Exploitation THRILLER-A CRUEL PICTURE. Sua entrada em cena com um belo vestido verde descendo uma escadaria é de grande efeito. Ao mesmo tempo que a personagem de Lindberg, que também se chama Christina, está em busca de um antigo amante japonês, começa a ser construído um jogo de sedução entre ela e a personagem de Ike, uma construção revelada em olhares durante um jogo de cartas. O erotismo do filme é trabalhado de maneira impecável mostrando delicadamente a tensão dos corpos e a dicotomia Prazer/Morte prresente na cultura japonesa e representada em clássicos como O Império dos Sentidos e Berlim Affair, só para citar dois casos. Duas seqüências eróticas valem o filme: na primeira Ochô passa no corpo um óleo inicialmente afrodisíaco. A câmera lentamente acompanha a mulher se preparando para a entrega ao amante que enlouquece com o odor irresistível do óleo que logo descobrirá se tratar de um poderoso veneno. O corpo como arma da mulher vingadora e o preparo lento da vingança. Por isso que eu sempre falo que as mulheres são muito mais interessantes quando resolvem se vingar. A outra seqüência quase “derreteu” meu pobre aparelho de DVD. A sueca Christina Lindberg surge em cena vestida de Gueixa para satisfazer um chefão do crime. O interessante é que o chefão irá se deliciar observando Christina sendo despida e posteriormente amada por outra Gueixa numa das mais sublimes seqüências de lesbianismo de todos os tempos, muito bem dirigida e visualmente de uma beleza arrebatadora, babado fortíssimo. O filme segue apresentando belas seqüências e antecipa as perversões a serem exploradas por Suzuki posteriormente. Em um tiroteio em um trem vemos a presença das freiras que seriam o tema central de seu futuro filme: Convent of the Sacred Beast. A tortura surge com a figura de Christina dando chibatadas na heroína da história dentro de uma Igreja. Os duelos finais são fantásticos e a luta da protagonista com um bando de criminosos usando sua espada vingadora com certeza inspirou a matança final de Kill Bill Vol 1. Suzuki sublinha essa luta final onde surge inclusive a presença da neve, com um rock psicodélico. Me deu vontade de aplaudir ao final do filme. A emoção de descobrir mais uma obra de um diretor que adoramos é sempre um grande momento. Como eu sempre costumo dizer: Pode demorar muito tempo mas um dia os filmes acabam nos encontrando...

Escrito por Marcelo Carrard às 17h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

27/04/2007


EAT THE SCHOOLGIRL

 

Essa sexta-feira, dia 27, está maravilhosa. O tempo está nublado e esfriou, felizmente. Afinal já estamos no outono e eu adoro o clima frio que eu espero que dure um bom tempo. Enquanto aguardo a chegada da meia-noite para ver no Canal Brasil o WIP da Boca do Lixo: ESCOLA PENAL DE MENINAS VIOLENTADFAS, com Nicole Puzzi e Zilda Mayo, conferi uma de minhas novas aquisições para a “Filmoteca Mondo Paura”: EAT THE SCHOOL GIRL aka EATING SCHOOLGIRLS do demente e genial NAOYUKI TOMOMATSU, o mesmo diretor do “filme de zumbis adolescentes” STACY. Fiquei impressionado com o filme por sua grande força criativa desde as primeiras cenas onde a montagem criativa consegue trabalhar as muitas texturas de imagens que surgem durante todo o filme. Na abertura presenciamos um jovem casal conversando pelo telefone. Até aí nada demais a não ser o fato de que o cara está se masturbando enquanto fala com uma aplicada atendente de telefonemas eróticos, tão aplicada que ela também se masturba. A seqüência é muito bem construida e já percebemos a brilhante trilha-sonora eletrônica que é um dos destaques da produção. O que surge em seguida é uma alucinada e delirante trama onde psicopatas buscam o gozo supremo através do sexo desenfreado seguido da morte como sublimação desse gozo. No meio de tudo isso vemos a inacreditável filmagem de um Snuff Movie encenada de forma quase teatral com a câmera colocada em lugares bem inusitados para driblar a censura japonesa. Tomomatsu parece seguir os passos de Takashi Miike mesclando o belo com o abjeto, o corpo profanado, a escatologia e seqüências extremas de Gore e tortura que conseguem em muitos momentos superar a notória série japonesa: ALL NIGHT LONG. Em STACY, seu filme de zumbis, fica clara a influência de George Romero e Sam Raimi. Em Eat the Schoolgirl se percebe uma clara citação a uma cena de Dublê de Corpo de Brian De Palma, na seqüência final no túnel. Os dois jovens psicóticos do filme: um moreno e um loiro seguem caminhos muito opostos até surgir o inevitável confronto. O fetiche da Colegial Japonesa é explorado de forma subversiva em um filme indicado somente para os iniciados em Cinema Extremo. E complementando as informações citadas no início do Post, em Maio no Canal Brasil, todas as sextas terão estréias de produções clássicas da Boca do Lixo paulistana e adjacências como: NOS TEMPOS DA VASELINA, BORDEL-NOITES PROIBIDAS, KUNG FU CONTRA AS BONECAS e o clássico VIDAS NUAS. Anotem em suas agendas crianças e divirtam-se...

Escrito por Marcelo Carrard às 16h27
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

26/04/2007


A INICIAÇÃO DE HANNIBAL

 

Hoje fui aproveitar a ultima quinta-feira da promoção do Unibanco Arteples com inteiras custando “Quatro reá”, que para mim é mais vantajoso ainda pois moro perto do Shopping Frei Caneca. Acabei conferindo o tal HANNIBAL RISING aka HANNIBAL – A ORIGEM DO MAL, uma produção do veterano DINO DE LAURENTIS e com muitos italianos na equipe. A Direção de Peter Webber tem seus momentos e a presença em cena de Gaspard Ulliel como o jovem Hannibal Lecter é bem interessante, ele é carismático e tem a dose de beleza necessária aos vilões clássicos. Sua partner em cena é a bela, sempre bela e cada vez mais bela GONG LI. O filme inicia em plena guerra, 1944 em um vilarejo do leste europeu atacado de um lado pelos nazistas e de outro pelos russos. Nesse fogo cruzado está a família de Hannibal, seus pais e a irmã menor Micha. Os horrores da guerra surgem aos poucos e transformam tudo em trevas e barbárie. Na cena em que Hannibal e Micha vêem o soldado desgarrado comendo o que seria carne humana e olhando para eles com “olhos de lobo do ártico”, é impressionante. Suas palavras soam como  uma sentença ao descrever a barbárie da guerra e o inverno rigoroso que aprisiona a todos “Ou comemos, ou morremos...” A primeira cena do filme é bem sugestiva, vemos uma teia de aranha no bosque. Como armadilha tecida delicadamente a teia serve como palco da aranha para esta devorar suas presas. Para Hannibal suas presas devem ser atraídas para o abismo com a frieza e a calma de uma aranha. A iniciação de Hannibal nas artes dos samurais surge através da personagem de Gong Li. Ela é a viúva de seu tio. As espadas e lâminas afiadas surgem como inspiração para seus atos de vingança enquanto surgem imagens de seu trágico passado ao lado da irmã, O filme tem um tempo, um padrão de edição bem europeus e lembram produções mais antigas com um muito bem vindo “Charme B”. As mortes até poderiam ser mais sangrentas mas creio que os produtores resolveram pegar mais leve para uma melhor distribuição internacional do filme. A trama mistura filme de guerra, filme de samurai, filme policial, horror, Drama e surge como uma boa diversão, A cena do homem amarrado na árvore com o cavalo puxando a corda é ótima assim como o açougueiro gordo sendo fatiado com a espada samurai. Aparentemente um filme sobre uma vingança, Hannibal Rising reserva algumas surpresas em sua parte final. Vale a pena dar uma conferida...

Escrito por Marcelo Carrard às 16h13
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

24/04/2007


Quem tem Medo de BATISMO DE SANGUE?

 

Inspirado na sensível leitura que o Ailton Monteiro fez sobre o recente filme de Helvécio Ratton, leitura antes de tudo sensata, equilibrada, resolvi escrever alguns comentários sobre esse belo filme que aguardava desde sua exibição no Festival de Brasília do ano passado, onde foi muito elogiado por meu grande amigo e ex-colega dos tempos da Faculdade de Jornalismo: Ranieri Rizza.  É estranho o “jogral” de críticas que parecem saídas de uma mesma fôrma atacando o filme de Ratton. Alguns criticam por causa das cenas de tortura, outros porque tem o “rabo preso” mesmo, outros para imitar seus “Ídolos”, outros por não terem sensibilidade cinematográfica suficiente para enxergar as inúmeras qualidades artísticas do filme e até os que conseguiram, com argumentos adultos, justificar o porque de sua não aprovação de Batismo de Sangue. Poucos são os que tem coragem de defender o filme por completo, infelizmente, mas entre seus defensores está Ismail Xavier que dispensa maiores comentários.  Num esforço de memória me recordo do primeiro filme brasileiro que eu vi nos cinemas onde apareciam cenas fortes de torturas praticadas durante a Ditadura Militar no Brasil. Era o filme PRA FRENTE BRASIL, feito ainda na Ditadura, em seu final e que teve sérios problemas com a censura. Mas antes disso na minha  modesta opinião o grande filme que expressa com força devastadora o horror da tortura praticada pelo Estado é o clássico O CASO DOS IRMÃOS NAVES. O registro  audiovisual sobre o Regime Militar Brasileiro é muito recente, ainda tem muito para ser mostrado e nem os Arquivos desse período foram totalmente abertos, permanecem nos porões da covardia e da falta de vontade política que emperram as coisas em nosso país. Quanto a questão da tortura em Batismo de Sangue, creio que houve um exagero da crítica super valorizando duas sequências do filme que expressam menos de 10 por cento do que realmente é o horror da tortura. Quem tem uma boa cultura cinematográfica com certeza já viu cenas bem mais extremas. Porém, essas sequências em Batismo de Sangue são muito bem construídas, com um grande trabalho dos atores no que diz respeito a preparação corporal. A fotografia é perfeita sublinhada pela excelente trilha-sonora de um dos músicos do grupo UAKTI. Cássio Gabus Mendes encarna o temido Delegado Fleury com uma força aterradora, num grande trabalho de ator. Caio Blat como Frei Tito mescla com virtuosismo a santidade e  e loucura para enfatizar seu suicídio na França devido ao traumático encontro com o Delegado Fleury que o torturou violentamente durante três dias, tortura essa que não é mostrada por inteiro. A covardia e a mediocridade de funcionários públicos, pagos com dinheiro do contribuinte para promover a barbárie, a tortura mais abjeta em nome da “Segurança Nacional” é o que mais choca, isso sim realmente é o que choca, não a tortura. Helvécio Ratton construiu um filme de  rara sinceridade e honestidade com suas idéias, suas lembranças tristes daquele período que foi muito cruel com ele também. A cena da Missa improvisada na prisão é de grande emoção, uma das mais belas do Cinema Brasileiro de todos os tempos. Como  comentei no Blog do Ailton, existe aquele velho Ditado que diz: “Ninguém gosta da verdade...” Quem afinal tem medo de Batismo de Sangue? Quem não teme a verdade, quem não joga nossa história para debaixo do tapete com certeza não tem medo de Batismo de Sangue.  Para quem não viveu aquela época sombria onde tínhamos medo de tudo é difícil de entender o que foram as atitudes daqueles jovens idealistas. Mas se hoje temos a liberdade de expressar todas as nossas opiniões por aqui foi graças a luta de muitos que deram a vida para que existisse liberdade de expressão no Brasil, ela não veio de graça, muito pelo contrário. Batismo de Sangue é um filme que merece respeito e que deve ser descoberto em suas muitas qualidades, inclusive na Direção de suas curtas sequências de tortura que representam uma pequena parte do filme. È isso aí, precisava escrever esses modestos comentários, o filme do Ratton merece.

Escrito por Marcelo Carrard às 18h16
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

23/04/2007


SESSÃO ÚNICA DO COMODORO:

02 de MAIO, 21h e 30 min – CINESESC

 

Vai ser ótimo reencontrar os amigos e depois tomar aquele chopp gelado para discutir a atração da noite: O filme de horror belga CALVAIRE, super elogiado por vários experts. A telona do Cinesesc receberá mais uma raridade graças a generosidade do Mentor da Sessão: Carlos Reichenbach. Estou contando as horas para que a noite de 2 de maio chegue logo...

Escrito por Marcelo Carrard às 17h58
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

22/04/2007


THE PROTECTOR aka O PROTETOR: MAIS UM GRANDE FILME VINDO DA TAILÂNDIA

 

Tenho comentado faz algum tempo por aqui que a Tailândia está produzindo um Cinema cada vez mais interessante, surpreendente e de grande variedade estético-narrativa. Temos desde os trabalhos radicalmente autorais do Diretor de MAL DOS TRÓPICOS e SÍNDROMES E UM SÉCULO, passando por grandes filmes de Horror como o Hit ESPÍRITOS-A MORTE ESTÁ AO SEU LADO e A ARTE DO DEMÔNIO e recentes clássicos do Cinema de Ação como ONG BAK e O PROTETOR. Esse último acabei de ver nessa tarde de chuva que rola aqui em São Paulo hoje. O astro do filme é o “Novo Bruce Lee” TONNY JAA, o mesmo de Ong Bak e a ação contínua, a pancadaria, a estilização das imagens, o virtuosismo das coreografias consegue superar Ong Bak. Dessa vez o herói parte para a Austrália em busca de seu elefante de estimação seqüestrado por vilões terríveis comandados por um Poderosa Chefona. Uma das primeiras seqüências de ação é uma perseguição de barcos alucinada onde a trilha eletrônica enfatiza as imagens alucinadas. Cheguei a voltar o DVd para rever essa sequência sensacional. O filme praticamente não tem interrupções, é pauleira o tempo todo. Tem um longo plano-sequência onde o herói luta com vários inimigos subindo uma escadaria que é um absurdo, sem cortes a ação é muito bem marcada/coreografada e Tony Jaa demonstra todos os seus talentos e inclusive apanha bastante de um vilão que domina golpes que ele desconhece dando ao herói ares mais humanos. A luta na sala em chamas com água com tonalidades douradas é de um apuro visual incrível. São muitas as seqüências de destaque onde o diretor mistura muito bem a modernidade de seus maneirismos de câmera com a tradição cultural tailandesa. Um grande filme que merece ser descoberto e que prova definitivamente que o Cinema Oriental de Ação e Pancadaria é um conjunto de elaboradas obras de arte cinematográfica que merecem maior atenção da crítica brasileira e uma distribuição por aqui nos cinemas, pois são filmes muito bem elaborados e que devem ganhar dimensões épicas na tela grande.

 

PS

Essa semana no Boca do Inferno, além de notícias e imagens novas dos recentes e futuros lançamentos do Cinema Fantástico Mundial, está no ar meu artigo sobre o filme A COLHEITA DO MAL, que estreou nessa sexta nos cinemas brasileiros.

Escrito por Marcelo Carrard às 15h25
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil

Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, CONSOLACAO, Homem, de 36 a 45 anos, English, Italian, Cinema e vídeo, Arte e cultura
Outro - mcarrard@uol.com.br

Histórico