O SEXO E A FÚRIA DE NORIFUMI SUZUKI

Acordei nesse sábado frio aqui em São Paulo ainda sob os efeitos do inacreditável WIP nacional ESCOLA PENAL DE MENINAS VIOLENTADAS, uma produção do Galante dirigida e fotografada pelo Meliande, simplesmente genial, eles beberam da fonte européia dos melhores WIP de Franco e até de Nunexploitations pois no filme a tal Escola Penal é comandada por uma Freira sádica que curte tortura, sadomasoquismo e perversões em geral. A tarde solitária me fez assistir a algo que me trouxesse alguma alegria sincera e me iluminasse essa solidão, essa melancolia que tem me invadido nos últimos dias. Então escolhi outra pérola recente de minha coleção: SEX AND FURY, dirigido pelo meu adorado Mestre NORIFUMI SUZUKI, responsável por clássicos obrigatórios já comentados por mim aqui e em outros lugares como: BEAUTIFUL GIRL HUNTER e CONVENT OF THE SACRED BEAST. Suzuki já demonstra toda a sua genialidade de um grande esteta na abertura do filme onde vemos em um túnel avermelhado uma menininha presenciando a morte do pai, um detetive, por criminosos ligados ao tráfico de ópio. Temos nessa primeira seqüência o clássico elemento da futura vingança que virá 20 anos depois. A menininha cresceu e se transformou em Ochô, uma sensual vingadora interpretada pela lendária atriz REIKO IKE, uma das musas dos estúdios da TOEI no qual Norifumi Suzuki foi um dos pioneiros em contar histórias extremas de sexo e sangue, sempre com muitas “meninas malvadas”. È muito belo o momento em que Ochô sai nua de uma banheira e em câmera lenta luta com sua espada, eliminando um bando de homens. Sua imposição surge através da beleza e poder de sedução do corpo e da violência moldada por anos de espera para consumar sua vingança. A outra presença feminina do filme é uma espiã inglesa interpretada pela deslumbrante atriz sueca CHRISTINA LINDBERG, sim, a protagonista do Clássico Exploitation THRILLER-A CRUEL PICTURE. Sua entrada em cena com um belo vestido verde descendo uma escadaria é de grande efeito. Ao mesmo tempo que a personagem de Lindberg, que também se chama Christina, está em busca de um antigo amante japonês, começa a ser construído um jogo de sedução entre ela e a personagem de Ike, uma construção revelada em olhares durante um jogo de cartas. O erotismo do filme é trabalhado de maneira impecável mostrando delicadamente a tensão dos corpos e a dicotomia Prazer/Morte prresente na cultura japonesa e representada em clássicos como O Império dos Sentidos e Berlim Affair, só para citar dois casos. Duas seqüências eróticas valem o filme: na primeira Ochô passa no corpo um óleo inicialmente afrodisíaco. A câmera lentamente acompanha a mulher se preparando para a entrega ao amante que enlouquece com o odor irresistível do óleo que logo descobrirá se tratar de um poderoso veneno. O corpo como arma da mulher vingadora e o preparo lento da vingança. Por isso que eu sempre falo que as mulheres são muito mais interessantes quando resolvem se vingar. A outra seqüência quase “derreteu” meu pobre aparelho de DVD. A sueca Christina Lindberg surge em cena vestida de Gueixa para satisfazer um chefão do crime. O interessante é que o chefão irá se deliciar observando Christina sendo despida e posteriormente amada por outra Gueixa numa das mais sublimes seqüências de lesbianismo de todos os tempos, muito bem dirigida e visualmente de uma beleza arrebatadora, babado fortíssimo. O filme segue apresentando belas seqüências e antecipa as perversões a serem exploradas por Suzuki posteriormente. Em um tiroteio em um trem vemos a presença das freiras que seriam o tema central de seu futuro filme: Convent of the Sacred Beast. A tortura surge com a figura de Christina dando chibatadas na heroína da história dentro de uma Igreja. Os duelos finais são fantásticos e a luta da protagonista com um bando de criminosos usando sua espada vingadora com certeza inspirou a matança final de Kill Bill Vol 1. Suzuki sublinha essa luta final onde surge inclusive a presença da neve, com um rock psicodélico. Me deu vontade de aplaudir ao final do filme. A emoção de descobrir mais uma obra de um diretor que adoramos é sempre um grande momento. Como eu sempre costumo dizer: Pode demorar muito tempo mas um dia os filmes acabam nos encontrando...








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