Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


03/05/2007


SÉRGIO ANDRADE e VINÍCIUS DEL FIOL CONVIDAM

Durante o mês de maio a Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia estará apresentando a Mostra “O Medo no Cinema”, com  a exibição de 4 clássicos de terror e suspense. Cópias em 16mm. Sempre aos sábados, às 13:30hs. Gratuito!

Organização: Sergio Luiz de Andrade e Vinícius Del Fiol.

 

Dia 05

Asilo sinistro (Bedlam, EUA, 1946)

Direção: Mark Robson

Dia 12

Mórbida curiosidade (Peeping Tom, ING, 1960)

Direção: Michael Powell

Dia 19

A Casa da noite eterna (The Legend of hell house, ING, 1973)

Direção: John Hough

Dia 26

Anjo da noite (idem, BRA, 1974)

Direção: Walter Hugo Khouri

 

Local: Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia
Av. João Dias 822 - Santo Amaro
Tel.: 5687-0513
Lotação: 150 lugares

 

PS

 

A CASA DA NOITE ETERNA e ANJO DA NOITE eu não perco nem por Decreto Presidencial...

Escrito por Marcelo Carrard às 21h32
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FROM BEYOND: The Director’s Cut

 

Nesse final de semana do feriadão rolou o borbulhante JOE D’AMATO HORROR FESTIVAL na Itália onde um dos homenageados foi o genial Diretor STUART GORDON, com uma mostra retrospectiva de seus filmes, incluindo os episódios que ele dirigiu para a Série Masters of Horror. Comentei sobre esse Festival por aqui tempos atrás. Também nesse feriadão foi aniversário do grande amigo e Mentor DON THOMAZZO ALBORNOZ. Em homenagem ao aniversariante, que recebeu tão bem os amigos Ailton e Michel em Porto Alegre, aproveito para unir o útil ao agradável e comentar brevemente a versão SEM CORTES do clássico filme de STUART GORDON: FROM BEYOND, de 1986. Gordon é um sujeito sensacional por ter nos brindado com o inacreditável RE-ANIMATOR, que marcou toda uma geração e ainda impressiona os jovens cinéfilos que o descobrem. Infelizmente não vi o Black Cat que ele fez para o Masters of Horror mas o episódio que ele dirigiu para a primeira temporada do Masters é maravilhoso, um conto macabro e perturbador sobre bruxaria. FROM BEYOND já era eficiente na sua versão convencional. Agora nessa versão sem cortes aprovada pelo Diretor o filme consegue ir além, numa citação/brincadeira com o título. Os efeitos especiais de maquiagem mostrando o maluco Dr Pretorius vindo “do além” são excelentes, feitos em uma época em que os diretores não eram viciados em efeitos computadorizados frios e sem emoção. A cena em que Pretorius agarra a Dra Katherine revelando seus seios é um clássico, uma imagem fetiche do Cinema de Horror. O flerte com a ficção-científica torna o filme ainda mais interessante. O assistente de Pretorius transformado num ser calvo com um terceiro olho que surge de sua testa é genial. Os ataques dele no hospital são mais explícitos nessa versão sem cortes. Esses seres que surgem de uma dimensão paralela, a questão do desejo reprimido que se solta como metáfora do poder, a dicotomia prazer/dor, lembram muito Clive Barker e sua turma de Hellraiser, outra referência importante dos anos 80. As luzes do laboratório tem todo um charme retrô dos antigos filmes da Universal e o duelo final que resulta numa orgia de sangue, gosmas, mutações e afins é maravilhoso. Essa possibilidade vermos os filmes sem cortes ou em edições inéditas é um dos grandes benefícios das novas tecnologias e parece ser uma tendência sem fim, tanto de filmes antigos quanto os novos como a versão Sem Cortes de Viagem Maldita lançada no Brasil, por exemplo. Então é isso. Um Viva para STUART GORDON e muitos VIVAS para o DON THOMAZZO ALBORNOZ, dois caras que entendem muito de diversão...

    

    

    

Escrito por Marcelo Carrard às 14h59
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02/05/2007


SOBRE A SESSÃO COMODORO COM O FABULOSO FILME CALVAIRE

 

Cheguei em casa faz pouco tempo. A noite dessa quarta-feira, dia 2 de maio, foi, digamos, estranha e ao mesmo tempo surpreendente. Cheguei cedo ao Cinesesc como de costume. O primeiro conhecido que surgiu foi o Edu Aguilar. Conversamos bastante até a chegada dos nossos colegas da ZINGU: os primos Gabriel e Raphael Carneiro. O Raphael eu não conhecia pessoalmente e é uma figuraça. O Gabriel fez uma pequena entrevista com o Edu na galeria ao lado do Cinesesc onde bebemos umas cervejas antes do filme. Antes da Sessão encontrei o Carlão Reichenbach, o Daniel Salomão, o Sérgio Alpendre, o Matheus Trunk e para minha surpresa estava lá o Jorge Eduardo que eu não via desde a chuvosa tarde da sessão de O Anjo Loiro. Tinha uma criatura, um ser, que eu acho que é amigo do Alpendre, magro de óculos com umas costeletas que me olhava de um jeito como se eu fosse algo do outro mundo, uma entidade sobrenatural ou algo assim, não sei quem era esse cidadão, mas gostaria de saber, achei muito engraçado. Fiquei conversando o tempo todo com o Jorge Eduardo e sentamos juntos bem na frente, na terceira fila que é a minha favorita do Cinesesc como já falei por aqui. Após apresentar o filme o Carlão parecia satisfeito em estar exibindo CALVAIRE que se revelou para mim uma obra poderosa, perturbadora e genial. O filme não só lembra AMARGO PESADELO e O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, mas os cita claramente. O surrealismo é trabalhado no filme de maneira muito criativa, sem pirotecnias intelectualizadas. A cada minuto que passa a trama do jovem cantor e seu carcereiro bizarro se torna mais sombria e doentia onde a floresta que os cerca e parece não ter fim surge como um personagem importante da história. Que puta filme esse CALVAIRE, inesquecível... Na saída os meninos subiram até a Paulista e eu e o Jorge Eduardo voltamos juntos de carro. Demos uma parada no Pedaço da Pizza da Augusta e fizemos um lanchinho enquanto batíamos um ótimo papo. O Jorge é realmente um cara muito especial e só hoje descobri que ele é libriano, além de ter um curriculum fantástico para alguém tão jovem. Foi uma surpresa esse encontro, dessas coisas que o destino nos reserva para que possamos renovar a fé no outro. Depois ele me deixou na porta de casa, como um bom menino. Foi assim, estranha, surpreendente essa noite da Sessão Comodoro. Para o próximo mês, como o filme ainda está sendo legendado teremos uma Sessão Surpresa, que filme será esse? Já estou curioso desde já. Ah, segundo o Gabriel Carneiro, a ZINGU 8 estará no ar nessa segunda-feira, dia 7, OK.

Escrito por Marcelo Carrard às 23h39
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01/05/2007


É PROIBIDO PROIBIR

 

Nesse feriado de 1º de maio fui conferir o filme novo do genial diretor Jorge Duran que, depois de um jejum de muitos anos, retorna mostrando que ainda continua um autor sensível e que não teme se arriscar jamais.  PROIBIDO PROIBIR já havia sido muito bem recomendado pelo amigo Eduardo Aguilar que teceu uma série de elogios ao roteiro e a direção dos atores. Ao contrário do que possa parecer o título, o filme se passa nos dias de hoje, em uma Universidade Pública do Rio de Janeiro. Temos em cena dois amigos que dividem um apartamento: o aluno de Medicina interpretado pelo Caio Blat, e o aluno de Ciências Sociais interpretado por Alexandre Rodrigues.  Surge uma terceira figura para formar um triângulo amoroso na figura de uma estudante de arquitetura interpretada por Maria Flor, uma figura intelectualizada de classe média alta. A personagem de Blat tem uma filosofia anárquica diante do mundo, sem posturas políticas, uma ironia profunda e debochada ao afirmar que “O que importa no mundo é a buceta e a canabis”. Essa figura típica dos meios universitários tem seu lado humanista no trato com os pacientes do Hospital Universitário, em particular uma senhora que está com leucemia e deseja rever o filho e o companheiro. Então se instaura no filme o contexto social anteriormente mostrado na pesquisa feita pela personagem de Rodrigues acompanhado de uma colega, em comunidades carentes do Rio de Janeiro. Essa busca pelo filho e pelo companheiro da paciente com leucemia inicia uma traumática descida aos infernos que irá mudar dramaticamente a vida de todos eles. Essa relação do trio me remeteu afetivamente a Jules e Jim e a E Sua Mãe Também. Divididos entre o desejo e a lealdade entre amigos vemos em cena uma história de amor e de perda radical da inocência muito bem realizada e felizmente com alguns defeitos, porque Durán não buscou a perfeição publicitária de muitas produções cariocas, ao contrário, revela um Rio de Janeiro visto do avesso, de ângulos inesperados e surpreendentes. O final é um dos mais belos que eu já vi nos últimos tempos e cria uma imagem abissal que simboliza com maestria os jovens dessa geração de vinte e poucos anos que está na Universidade, sem saber o futuro que os espera porque o Estado já apodreceu faz muito tempo...

 

PS

 

No BOCA DO INFERNO essa semana está no ar um ótimo artigo do FELIPE GUERRA sobre o aguardado/badalado e afins GRINDHOUSE, escrito com a sinceridade e o bom humor de sempre por alguém que realmente conhece muito do assunto.

 

Escrito por Marcelo Carrard às 18h17
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