EXTERMÍNIO 2 aka 28 WEEKS LATER
Esse fim de semana foi generoso em termos de estréias por aqui em Sampa. Ao menos três filmes imperdíveis chegaram aos cinemas: ZODÍACO, de David Fincher, TRANSYLVANIA de Tony Gatlif e com Ásia Argento no papel principal e a seqüência de EXTERMÍNIO, dessa vez apenas produzida por Danny Boyle. Um problema desagradável ocorreu mais uma vez. Assim como aconteceu recentemente com O HOSPEDEIRO, nenhum cinema da região mais central de São Paulo estreou o EXTERMÍNIO 2, jogaram o filme para shoppings longínquos e caretas. Um deles, o detestável Shopping Metrô Santa Cruz, foi o buraco onde tive que me sujeitar a ir hoje para ver o tal EXTERMÍNIO 2, que, pasmem, é distribuido pela FOX, que TINHA uma excelente distribuição, agora está um lixo. Tive vários problemas antes da sessão: da máquina de café do bar que não funcionava, o povo mal-educado, os funcionários mais mal educados ainda, que quase me fizeram perder a cabeça e acabar tudo num grande barraco entre outras coisas, um pavor. Daí, resumindo, cheguei até a sala e encontrei pessoas de outros bairros reclamando pelo fato de estarem lá e que não entendiam porque o filme não havia estreado ao menos no Bristol. Após esse início tenso, naquele Cinemark uó, ao menos o público foi educado e a projeção estava ótima. O filme é bastante superior ao primeiro. Muito mais sangrento, com mais gore e com alucinadas seqüências de ação com ataques e confrontos entre humanos e infectados. Um detalhe importante: como bem lembrou o Cristian Verardi, as criaturas assassinas do filme NÃO SÃO ZUMBIS, são INFECTADOS, ou melhor, MUTANTES, com uma força e uma velocidade absurdas e uma fome infinita. Muitos andam falando por aí que é um filme de zumbis, mas NÃO É, pelo simples detalhe de que ao contrário dos mortos-vivos, os mutantes morrem com tiros em várias partes do corpo, ao contrário dos zumbis que só são destruídos com um tiro na cabeça. A longa abertura do filme é muito interessante em seu crescendo de expectativa, tensão e horror. A primeira imagem que surge são a dos olhos de uma mulher iluminados pela chama de uma vela e tudo termina numa sucessão de sustos de pular da cadeira e muita violência. Agora se passaram 28 semanas da trama do primeiro filme e Londres e arredores parecem estar em paz, livres do vírus que dizimou o país. Um casal de irmãos são os protagonistas da história. Eles estavam na Espanha e não tiveram contato com o vírus. O garoto parece muito com aquele moleque loirinho que aparecia nos filmes do Lucio Fulci. Claro que uma série de sangrentos incidentes vai fazer com que o vírus volte instaurando o caos e a carneficina. As seqüências dos ataques são muito boas. O clima de filme sobre o mundo pós-apocalíptico é muito bem recriado para os dias de hoje com muitas imagens de várias texturas onde é usada muita câmera digital na mão, lentes de visão no escuro e momentos bem estilizados e de dramática beleza com a câmera imóvel. A seqüência sanguinolenta do helicóptero no campo é sensacional, assim como o encontro selvagem do casal no hospital que ocorre anteriormente. A cena final do epílogo é genial, muito bem bolada e abre um precedente muito interessante para um terceiro filme. Em algumas cenas onde os alucinados mutantes atacam na escuridão, me lembrei de DEMONS do Lamberto Bava. Um filme surpreendente, cruel, sem heróis e com uma visão niilista do futuro da humanidade que é devorada por seus próprios pais e filhos. Realmente assustador...






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