Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


07/06/2007


IMAGENS DA ENTREVISTA DE RICARDO GHIORZI

Abaixo vemos duas fotos clicadas por Luciano Amaro Valério onde Ricardo Ghiorzi cria o Zumbi Maquiavel de PORTO DOS MORTOS.

 

Escrito por Marcelo Carrard às 23h18
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ENTREVISTA COM RICARDO GHIORZI

O ISIDORO GUGGIANA me passou uma breve entrevista com o talentoso amigo RICARDO GHIORZI: Artísta-Plástico e Maquiador de Efeitos Especiais para Cinema. Infelizmente as fotos não puderam rolar por serem em BMP, mas a entrevista está ótima, onde ele fala das filmagens do aguardado PORTO DOS MORTOS, Dirigido por DAVI PINHEIRO:

O porto-alegrense Ricardo Ghiorzi, 42 anos, é o gênio responsável pelos Efeitos Especiais em Maquiagem e Pirotecnia do longa “Porto dos Mortos”, que está sendo rodado pelo cineasta Davi de Oliveira Pinheiro, na Capital gaúcha. Entre seus trabalhos na área, Ghiorzi participou da mini-série “À Ferro & Fogo”, dirigida por Gilberto Perin, para a RBS-TV/Globo, e diversos curtas-metragens gaúchos. Atualmente, escreve e se prepara para estrear na direção com o curta “Lua Vermelha”, sua visão pessoal dos lobisomens. A seguir, Ghiorzi fala um pouco mais sobre suas inspirações e a experiência de fazer o primeiro longa-metragem da cinematografia gaúcha, “Porto dos Mortos”.

Quando você começou a se dedicar à maquiagem e efeitos especiais?
Bem...comecei a fazer algumas máscaras e esculturas em 2005. Mostrei para alguns amigos e eles acharam que estava bem legal, que eu até podia divulgar o meu trabalho profissionalmente.  E foi o que fiz: tirei várias fotos e botei na Internet. Isso já em 2006.

De onde veio esse interesse? Exemplos.
Olha, a história é bem antiga. Quando eu tinha 11 anos, minha mãe me prometeu uma revista em quadrinhos se eu passasse de ano na escola. Não deu outra, passei de ano e fomos juntos numa banca de revista. E é claro, eu já gostava de coisas sobrenaturais, escolhi um Almanaque de Terror, da extinta Editora Taika. Ali, eu literalmente mergulhei neste mundo fascinante. Desta data em diante, me interessei cada vez mais pelo assunto, e, é claro, o cinema estava no meio. Livros, revistas, máscaras, bonecos, filmes, tudo me interessava. Foi nessa época que comecei a fazer as primeiras experiências com máscaras e maquiagens.

Onde você aprendeu as técnicas empregadas?
Muita coisa foi por intuição e a minha tendência artística herdada de família também ajudou bastante. Recentemente a Internet tem sido o meu grande professor.

Quem são os teus mestres nessa arte?
São tantos: o grande mestre Giannetto de Rossi (“Zombi 2”, “City of the Living Dead”, “The Beyond”, “Haute Tension”); Dick Smith (“Little Big Man”, “The Exorcist”, “Scanners”); Tom Savini (“Friday the 13th, Maniac”, “The Burning”, “Day of the Dead”); Rick Baker (“The Funhouse”, “An American werewolf in London”, “Videodrome”); Rob Bottin (“Piranha”, “The Thing”, “Robocop”, “Seven”); e recentemente, Greg Nicotero (“Land of the Dead”, “Hostel”, “Grindhouse”).

Como surgiu a oportunidade de trabalhar em "Porto dos Mortos”?
Quem me apresentou o Davi de Oliveira Pinheiro foi uma figura muito gente-fina e grande “expert” no gênero terror, o Cristian Verardi. A minha afinidade com o diretor foi imediata. Ele já estava escrevendo o roteiro do filme, e não demorou muito a me convidar para futuramente fazer os Efeitos Especiais em Maquiagens de “Porto dos Mortos”.

Como é o trabalho com o Diretor?
Muito tranqüilo. Quando um  diretor de cinema sabe o que quer, o trabalho flui sem problemas. O Davi é um diretor de mão cheia.

Como foi criado Maquiavel, o 1º zumbi de "Porto"?
Quando eu fui chamado para o primeiro teste de maquiagem, não houve tempo hábil para tirar o molde do rosto do ator. Então levei as próteses todas separadas  para a montagem no estúdio. Bolei um zumbi com um olho vazado e grandes áreas do rosto podres. O resultado foi bem satisfatório. Então o Davi pediu para fazer os dois olhos vazados. O resultado ficou chocante! Um zumbi totalmente cego!

Sem estragar a surpresa, o que podemos esperar de "Porto"?
Pela equipe que já está formada, espero um grande filme de zumbis, no estilo que todos os amantes do gênero não ficarão decepcionados.

Escrito por Marcelo Carrard às 19h48
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SOBRE A SESSÃO ÚNICA DO COMODORO DE 6 de JUNHO de 2007

 

Santa Periquita do Bigode Loiro!!! A Sessão Única do Comodoro com o magnífico filme I WALKED WITH A ZOMBIE foi muito divertida. Cheguei cedo como sempre faço há praticamente três anos, SIM, a Sessão Comodoro completa 3 ANOS agora em julho. Foi muito legal mais uma vez o encontro com os amigos. Estavam por lá os primos Gabriel e Raphael Carneiro, duas figuras sensacionais, o Daniel Salomão acompanhado do Filipe Chamy, que conheci pessoalmente hoje e é um cara muito gente fina, além das figuras de sempre. Ausências marcantes foram as do Matheus Trunk, do Edu Aguilar, do Sérgio Andrade  e do Leandro Caraça. Muita gente apareceu, como há muito tempo não rolava. O Sérgio Alpendre eu vi de longe além de outras figuras fiéis das sessões. A surpresa foi ter encontrado outro Leandro, o Garcia, do site Brócolis VHS, meu grande amigo e conterrâneo que foi casado com uma grande amiga paulista, a Mariana Meloni. Botamos vários assuntos em dia e compartilhamos as dores dos seres separados/divorciados. Cruzei com o amigo Leopoldo Tauffenbach também, sempre um bom papo, muito legal. O Carlão apresentou o filme e anunciou para o próximo mês o ROCK and ROLL HIGH SCHOOL, o “filme dos Ramones”, produzido pelo Roger Corman e para breve o único filme dirigido pelo Mestre Mishima. O filme do Tourneur  é como um sonho, um transe. É incrível como ele  conseguiu fazer tudo aquilo nos findos de um velho estúdio e com pouca grana. Realmente é como todos já falaram: A seqüência noturna do milharal é uma Obra-Prima. Um dos filmes mais atmosféricos que eu já vi em toda a minha vida. Os tambores vodu tocando, a seqüência na praia, tudo no filme é maravilhoso, sem esquecer as cenas na escadaria. O Carlão Reichenbach falou que esse era o filme favorito do Tourneur e que ele era ligado ao ocultismo e fez questão de usar haitianos nas filmagens. Belo filme, uma experiência inesquecível sem dúvida. Depois da sessão o povo da ZINGU simplesmente desapareceu, uma loucura. Daí eu e o Leandro Garcia encontramos uma amiga portuguesa, a Helena, com o companheiro dela, o Matheus, um casal super fofo e muito inteligente. Fui com eles embora junto com o Carlão que me acompanhou até a Av Paulista onde no caminho falamos muito de cinema, da expectativa dele em participar do Raros 100 em Porto Alegre, ao lado do amigo Milton do Prado, sobre Jesus Franco, sobre cinema japonês e outras coisas. Nos despedimos na  mítica esquina da Paulista com a Augusta e daí fui com o Leandro, a Helena e o Matheus até o boteco ao lado da LÔCA, onde bebemos muuuuuuuuuitas cervejas, rimos e conversamos muito e ainda apareceu um vizinho meu que é meio pirado e fez muitas micagens, entre elas o inacreditável equilíbrio de garrafas, uma em cima da outra, demência total, ele é muito bizarro esse meu vizinho, que coisa. Depois voltei para casa com eles que me deixaram na porta de casa. Foi uma noite memorável, só faltou uma boa companhia para me aquecer nessa madrugada fria, mas nada é 100% perfeito. Quem sabe em uma outra ocasião...

PS

Por querer ler os comentários do povo da comunidade da ZINGU no Orkut, acabei entrando nesse troço que não sei direito como funciona, mas estou por lá também agora. Pena que estou sem muito tempo de sobra no momento...

Escrito por Marcelo Carrard às 04h24
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04/06/2007


ZINGU # 9 já está on line

 

Então. A 9ª Edição da Revista Eletrônica ZINGU, da qual ainda faço parte, chega com muitas coisas interessantes. Seguindo a nobre tarefa de celebrar a memória dos grandes Críticos de Cinema de São Paulo, nessa edição a revista está com um grande e imperdível conjunto de matérias/textos e homenagens ao eterno JAIRO FERREIRA. De minha parte, inicio uma série de Artigos em homenagem a um de meus heróis cinematográficos e grande Mestre do Cinema Extremo: JOE D’AMATO, que deve durar pelo menos mais quatro edições além dessa. O pontapé inicial é com o Clássico Maldito ANTROPOPHAGUS – THE BEAST. Nessa edição a Coluna Subgêneros Obscuros foi escrita pelo grande amigo SÉRGIO ANDRADE e fala dos filmes deliciosos sobre Animais Assassinos, uma espécie de “Filhotes do Tubarão” de Spielberg, onde ele não se esquece de destacar a produção nacional BACALHAU.  Entre muitas outras atrações temos a estréia do PAPO FURADO, onde a cada mês um de nós responderá um questionário muito interessante sobre nós mesmos, nossos gostos, taras e opiniões sinceras sobre a vida. Na estréia, respondendo o tal Questionário: DOMINGOS RUIZ Jr. Na próxima ZINGU devo ser eu. Aliás na próxima ZINGU volto com a Coluna Subgêneros Obscuros e dou continuidade ao Tributo a Joe D’Amato. Por enquanto é isso. Leiam e divirtam-se.

Escrito por Marcelo Carrard às 16h22
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03/06/2007


TRANSYLVANIA- UM CONVITE AO PRAZER DA VIAGEM E DO SONHO...

 

Antes de comentar o belo filme de Tony Gatlif: TRANSYLVANIA, com minha Musa preferida ASIA ARGENTO, preciso destacar alguns avisos: Em primeiro lugar no BOCA DO INFERNO está no ar meu artigo sobre o excelente filme de David Fincher: ZODÍACO, uma obra para cinéfilos de verdade, não para amadores. A crítica que o Inácio Araújo fez sobre o filme na sexta é primorosa. Voltando ao Boca do Inferno, já está no ar também a nova página inicial muito interessante marcando o sexto ano do site. O artigo do Felipe Guerra é inacreditável, desencavando das profundezas um dos hits do saudoso Cine Trash. Em segundo lugar gostaria de destacar um comentário que o Inácio Araújo fez no Reduto do Comodoro destacando que a cópia legendada em português de I WALKED WITH A ZOMBIE, que será exibida nessa quarta, dia 6 de junho, na Sessão Única do Comodoro, é fruto da colaboração do Historiador JAIME PALHINHA, OK. Agora vamos partir para a Transylvania, filme que abençoou minha solitária e triste tarde de domingo. Ao contrário dos horrores que eu passei no Shopping Metrô Santa Cruz, no Espaço Unibanco da Augusta o clima era altamente civilizado: o café foi bem servido, os funcionários muito educados, na fila para o cinema muita gente bonita e interessante como dois garotos franceses que falavam animadamente em sua língua nativa. Ao entrar na Sala 2 do piso superior me preparei para receber as imagens desse filme que estava ansioso para ver desde o ano passado quando ele esteve no Festival de Cannes. Assim como em seu filme anterior: EXÍLIOS, Gatlif conta uma história sobre uma jornada inusitada, inversa. Se em Exílios as personagens iam da França para a Argélia em busca de redenção, em Transylvania vemos a jornada de uma jovem, interpretada por Asia Argento, que parte da França para a Romênia atrás do antigo amor e pai do filho que está esperando. Nessa primeira parte vemos a busca inicial pelo amor perdido, pelo pai, pelo protetor, mas em um determinado momento ocorre uma ruptura e se instaura o transe em uma festa na rua, fotografada com maestria, assim como a maioria das seqüências do filme. Surge então, nessa experiência abissal, um Road Movie repleto de reviravoltas onde somos jogados para uma realidade onde o sonho, a magia, o desespero e a busca interior das personagens são mostradas através de imagens raras, onde vivemos no mundo dos ciganos, no obscurantismo medieval do ritual de quase exorcismo, onde vemos exemplos da maldade humana superados pela sincera bondade e humanidade do povo romeno, sofrido mas sempre disposto a estender a mão sem esperar nada em troca. As seqüências na neve são muito belas, assim como as sequências onde vemos as personagens envoltas pela neblina. A trilha sonora teve a colaboração do próprio diretor e lembra em muitos momentos os temas musicais dos filmes de Emir Kusturica, que também trabalhou de maneira muito contundente com o universo dos ciganos em VIDA CIGANA. Transylvania é a prova de que o Road Movie ainda é uma fórmula que funciona, que tem uma grande capacidade de se comunicar e de emocionar o público. Asia Argento esbanja talento pontuando todo o filme com uma atuação primorosa, em que ela se entrega com muita força atuando em francês, inglês e italiano. No final do filme estava profundamente emocionado com aquela história sobre a busca do amor, onde todo o calvário percorrido pelas personagens, os transporta para dimensões surpreendentes. O caminho inverso da riqueza (França) para a pobreza (Romênia), mostra mais uma vez o olhar sensível do diretor sobre a questão do exílio, onde não apenas um futuro melhor é almejado, mas sim, uma paz interior, onde o amor ainda é a coisa mais importante do mundo, mesmo que esse mundo negue esse amor, negue essa busca. Grande filme, indicado para quem tem o coração e os olhos livres...

Escrito por Marcelo Carrard às 18h03
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