Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


21/07/2007


BRISAS DO AMOR: Um Filme de Alfredo Sternheim

 

O Canal Brasil nesse mês de julho está inspirado em sua clássica Sessão da Meia-Noite: Como Era Gostoso o Nosso Cinema. Ontem foi exibido BRISAS DO AMOR, 1982 do Mestre Alfredo Sternheim. Mais uma vez o diretor encenou um de seus filmes na Praia de Mongaguá, litoral sul de São Paulo e criou uma trama deliciosa sobre histórias paralelas de pessoas que vão passar um fim de semana em um hotel. Temos a atriz de filmes eróticos perseguida por um fã obsessivo, o Deputado que foi traído pela mulher alcoólatra, o casal de jovens surpreendido por uma gravidez entre outras situações. A tal adúltera alcoólatra chamada Elza, é um espetáculo a parte. Seus porres e escândalos são sensacionais e na noite do flagrante de adultério ela sai pelada do quarto e é fotografada e acaba gritando “Oh!! Fotógrafos...” muito engraçado. Ela meio que tem um look meio over, quase de traveco, mas é linda e rouba todas as cenas em que aparece, sempre com um copo na mão, maravilhosa. A atriz de filmes eróticos aprisionada pelo fã em uma casa abandonada proporciona sequências muito interessantes que lembram clássicos eróticos europeus. Mesmo em meio a uma proposta comercial Sternheim sempre teve muita categoria ao filmar cenas de sexo e algumas são realmente muito bonitas. Um filme surpreendente que eu ainda não conhecia. No início do mês foi exibido no mesmo canal e no mesmo horário: PROFISSÃO: MULHER, do Cláudio Cunha que é meu mais novo Cult Movie. Sensacional com um elenco que tem desde a Cantora Marlene, passando por Patrícia Scalvi, Márcia Porto, Simone de Carvalho e Lady Francisco, simplismente inacreditável e genial. Realmente, nessas horas que fica muito claro COMO ERA GOSTOSO O NOSSO CINEMA...

Escrito por Marcelo Carrard às 17h59
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19/07/2007


AS LEIS DE FAMÍLIA aka DERECHO DE FAMILIA: Um Filme de Daniel Burman

 

São Paulo amanheceu com um dia de sol e céu aberto nessa quinta-feira. O frio felizmente permanece para minha alegria de amante incondicional do Inverno. Saí de casa caminhando em direção ao Reserva Cultural na Av Paulista para mais uma Cabine de Imprensa. Andar pela Paulista sempre é algo que me traz muita emoção, ainda mais vendo a minha amada cidade despertando, as pessoas saindo do Metrô e tomando de assalto as calçadas, os prédios com os raios de sol refletidos em suas janelas, enfim, uma paisagem magnífica. Cheguei cedo, na verdade fui o primeiro a chegar e recebi o calor da calefação do cinema aproveitando para sorver meu primeiro café expresso do dia e esperar a chegada do povo e a sala abrir para ver um filme argentino, do mesmo diretor de O Abraço Partido: LEIS DE FAMÍLIA. Antes da sessão ouvi e presenciei coisas bastante assustadoras. Planejava descrever cirurgicamente alguns absurdos que tive de ouvir por não estar com um protetor de ouvido, mas prefiro, ao menos aqui, manter o silêncio. Só resumo com tristeza o fato de que a Crítica Cinematográfica brasileira está ficando cada vez mais sucateada e na mão de “formadores de opinião” que mais parecem saídos do Poço das Serpentes do Instituto Butantã. Enfim, como já não tenho mais paciência e nem idade para ter que suportar determinadas coisas, só devo ir em Cabines muito, mas muito imperdíveis de hoje em diante. PONTO. Vamos ao filme. Nunca fui um grande entusiasta desse celebrado “Novo Cinema Argentino”. O único “Novo Cinema” realmente ousado, inventivo, transgressor e realmente surpreendente feito no mundo hoje é o asiático, diga-se de passagem muito mal distribuído no Brasil, em boa parte devido aos poderes dos tais “formadores de opinião” citados anteriormente, sem contar a falta de cultura cinematográfica de nossos distribuidores. O filme de Burman tem como grande mérito sua total falta de pretensão. Mesmo não sendo uma Obra-prima de primeira grandeza, é um filme muito honesto e sincero. A história de um pai e seu filho, ambos advogados é narrada em off pelo filho, que também exerce as funções de Professor Universitário. Numa das aulas ele conhece uma aluna que irá se tornar sua mulher e mãe de um simpático pirralho que rouba todas as cenas onde aparece. A história desse amor, desse encontro abre o filme para então entrar em cena a parte mais interessante e que me emocionou muito: a relação entre o narrador e seu velho pai, em um misto de admiração e distância, de palavras não-ditas que funcionam muito bem graças ao carisma e o talento dos dois atores. O filme é muito simples em sua gramática. É uma crônica sobre a vida narrada com forte facilidade de comunicação com o público. Para quem busca uma história sincera, de pessoas de carne e osso, com sutilezas muito bem trabalhadas, LEIS DE FAMÍLIA é o filme perfeito. Não esperem uma Obra-prima de densidades mais extremas. Ao voltar para casa passei numa feira e me deliciei com a mais paulistana das misturas: um pastel com um caldo de cana bem geladinho. O sol ficava difuso entre os vapores da barraquinha de pastel e muita gente fazia seus pedidos. Entre sorrisos tímidos que surgiam, percebi que a vida voltava aos poucos ao normal em São Paulo. Agora é viver um dia de cada vez, de cabeça erguida. A vida continua...

Escrito por Marcelo Carrard às 13h39
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17/07/2007


Revendo PADRE PADRONE de Paolo e Vittorio Taviani

 

Nessa noite fria e chuvosa em que uma triste tragédia se abateu sobre minha amada cidade de São Paulo já havia me programado para rever um filme dos Irmãos Taviani que há muito tempo não via. Busquei a companhia desse filme por falta de melhores opções na tv e para procurar uma certa emoção perdida, um antídoto para a solidão regado a café e cigarros. Essa Obra-Prima de 1977 baseada na autobiografia de Gavino Ledda, fala da tensa relação entre pai e filho, um tema universal clássico que antecipa o filme argentino que devo ver em uma Cabine de Imprensa na quinta, dia 19. A ambientação da história na bela Sardenha, a jornada do personagem em busca do sonho perdido na infância de se educar, buscar a paixão roubada pela literatura, pela liberdade através da arte literária, as relações tensas, as suas observações sobre aquele mundo tão singelo que o cercava mas que serve como painel muito sincero da condição humana, enfim, tudo nesse belo filme tem uma força muito grande que me emocionou ainda mais. Não sei se é a idade, as feridas de “guerra” que essa mesma vida nos deixa, mas nessa revisão realmente fiquei muito emocionado. O belo Saverio Marconi interpreta um Gavino carregado de rancores e esperanças em sua busca pela libertação através do conhecimento em contraste com aquela realidade árida em que foi obrigado a permanecer. Sua luta pelo sonho, pela realização desse sonho é emblemática e os Irmãos Taviani souberam expressar com muita propriedade esse clássico da literatura italiana em imagens. Grande filme. Enquanto bebo um gole de café agora, me preparo para o dia que virá, pois apesar de tudo o dia sempre nasce com a chegada da manhã e temos mais um dia pela frente para, de preferência vivê-lo como se fosse único...

Escrito por Marcelo Carrard às 23h01
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16/07/2007


DEXTER: Minha nova paixão televisiva...

 

Não sou um aficionado por séries de TV como alguns amigos da blogosfera como a Fer Funchal e o Ailton Monteiro. Minha única série a qual acompanho religiosamente, são meus amados OS SIMPSONS. A última série com personagens de carne e osso que eu acompanhei inteira foram os X Files, depois vi pouca coisa. Um tempo atrás o André ZP falou muito bem de um seriado chamado DEXTER, não confundir com o do jovem cientista irmão da Didi. Passava na HBO mas agora está na FOX, que é um pouco mais acessível para quem tem Tv a cabo e passa justamente após o episódio inédito dos SIMPSONS, aos domingos, ás 21h. MICHAEL C HALL, interpreta DEXTER com muito carisma, muita força. Seu charme e sua beleza não óbvia lhe proporciona uma atuação muito interessante de um Serial Killer que só mata Serial Killers e trabalha na polícia de Miami. Ele esconde seu lado “serial” de todos: da namorada, da irmã, dos colegas de trabalho, é sensacional. Ontem ele largou uma frase absurda em um almoço com a namorada onde em Off afirmou: “Eu posso matar um homem, desmembrar seu corpo inteiro e voltar para minha casa tranqüilamente para ver meu programa favorito, mas eu não sei o que fazer quando sinto que minha namorada está insegura...” Sem comentários. Frases assim rolam em Off o tempo todo, são os pensamentos de Dexter que guiam a trama. O clima quente de Miami, a força da cultura latina, os colegas da delegacia, tem personagens ótimos, a abertura é sensacional mostrando Dexter acordando e se barbeando e depois preparando o café em enquadramentos que parecem os de um filme de horror. Adorei a série. Dexter é um dos personagens mais singulares que eu já vi em cena até hoje e o Michael C Hall é um gatinho também, acompanhado de duas gatas que interpretam a namorada e a irmã. Me lembro de um comentário do Carlão Reichenbach falando que o melhor do Cinema norte-americano está atualmente na televisão. E não é que é verdade?

 

Escrito por Marcelo Carrard às 13h27
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