Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


04/08/2007


SESSÃO TRIPLA NA ODISSÉIA NO CINEMA

 

Essa madrugada passei a noite no Espaço Unibanco da Augusta vendo filmes na tal Odisséia no Cinema que eles promovem faz tempo mas nunca havia ido. Fui uma vez em um evento similar no Belas Artes que foi uma experiência terrível, com aqueles pós-adolescentes mal-educados e burros e um café da manhã meia-boca. Ontem foi diferente. O público era bem melhor, muita gente bonita e interessante, Djs tocando um som que ia do lounge até o Eletro, com luzes fazendo projeções psicodélicas no chão, ótima atmosfera. A fila era bem divertida, com umas figuras muito engraçadas e o clima era de confraternização cinéfila. O primeiro filme da noite foi: O GRABDE CHEFE de LARS VON TRIER. A produção é muito simples e o diretor introduz o filme com um off dizendo que vai se encenar uma comédia e faz comentários assim no decorrer do filme até seu encerramento em um recurso narrativo muito interessante. A trama é sobre um ator que tem que fingir ser o Grande Chefe de uma empresa que deverá ser vendida e tem que enganar seu grupo de subordinados. Os tipos são os clássicos, presentes em todo ambiente de trabalho: o tímido, a histérica, a perua metida a gostosa, o valentão etc. Von Trier bebe da fonte do Dogma contando sua comédia gélida com cortes secos, câmera na mão em muitas vezes e num determinado momento uma das personagens cita explicitamente os filmes do Dogma. Atuações brilhantes dos sempre excelentes atores escandinavos, um humor muitas vezes ácido e um final brilhante. Von Trier deixa claro em O GRANDE CHEFE que o Poder é uma ilusão, uma encenação e que todo Chefe tem um pouco de ator, de farsante e ao mesmo tempo nos mostra também que com poucos recursos, basicamente câmera digital, atores e locações simples, se pode fazer um grande filme.

Depois teve um pequeno intervalo e dei uma volta pela “pista”, fumei e depois voltei para a sala 2 para ver o tal “Filme Surpresa” que era uma coisa tipo “Drama independente americano encenado no meio-oeste sobre mulher em busca de si mesma...” sem comentários. Parece que o nome é Encontro do Acaso ou ao Acaso, sei lá, mas a atriz é muito boa, e só. Depois dessa sessão desci, tomei um café, fiquei paquerando um pouquinho e depois subi para ver o ultimo filme da noite: DEITE COMIGO aka LIE WITH ME de CLÉMENT VIRGO. As coisas já melhoraram na abertura do filme onde vemos a protagonista: Leila, só de mini-saia, se masturbando enquanto vê um filme pornô. Depois acompanhamos suas jornadas noturnas atrás de homens, atrás de prazer em clubes modernos. Numa noite ela conhece David, com quem começa uma relação tórrida de amor e ódio, paixão e desejo onde a obsessão e a loucura passam a povoar o mundo desses amantes em sua entrega carnal intensa que nos proporciona cenas bem quentes e fotografadas com muita estilização. A trilha-sonora ´é bem interessante e o casal de atores é muito tesudo. A garota tem estilo e atua muito bem, já o garoto é delicioso, tem poucos recursos como ator, aparecendo mais como uma representação renascentista do Belo como categoria estética... Que belo David esse do filme...

Depois da sessão rolou um café da manhã muito melhor do que o do Belas Artes. Tinha um pãozinho com frios, bolinho e suco de frutas do Valle, maravilhoso. Foi uma noite muito divertida, passar a madrugada em um cinema vendo filmes não é uma novidade, isso já rola faz tempo em muitos países, mas é uma idéia genial...

Escrito por Marcelo Carrard às 15h29
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03/08/2007


TOP 10 BERGMAN e ANTONIONI e Uma Nota Infernal

 

Como singela homenagem o Editor desse Blog faz suas listas de favoritos desses dois grandes Mestres que nos deixaram essa semana, com uma nota de aviso no final relacionada ao Site Boca do Inferno.

 

BERGMAN

 

O Sétimo Selo

A Hora do Lobo

Cenas de um Casamento

Vergonha

Gritos e Sussurros

Persona

O Silêncio

Fanny e Alexander

A Fonte da Donzela

Sonata de Outono

 

ANTONIONI

 

A Noite

Blow Up

A Aventura

Deserto Vermelho

O Eclipse

Zabrinskie Point

Além das Nuvens

O Passageiro

O Mistério de Oberwald

Eros-1º Episódio

 

Nota Infernal: O Site Boca do Inferno volta com tudo após as merecidas férias do Webmaster Marcelo Milici. Como destaque temos os artigos dos clássicos O MISTÉRIO ETRUSCO e SLEEPWAY CAMP. Era para ter um artigo meu sobre ALUCARDA, mas não rolou e outro sobre a BOMBA produzida pelo Sam Raimi: OS MENSAGEIROS. Quem sabe na próxima atualização... E por falar em atualização, na segunda-feira, dia 6, no final da tarde, já deve estar no ar a Edição nº 11 da ZINGU.

Escrito por Marcelo Carrard às 11h55
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01/08/2007


Sobre a memorável Noite da Sessão Comodoro de 1º de Agosto

 

Nesse momento em que estamos sob o “polêmico” signo de Leão, acabo de voltar da Sessão Comodoro e depois de fazer uma frugal refeição escrevo meus breves comentários sobre o que rolou agora há pouco. A noite estava agradável, poderia estar mais frio, mas tudo bem. Muitos fiéis não apareceram. O Daniel Salomão parece que está doentinho, se recuperando em casa, o Matheus Trunk eu já nem comento mais, o Leandro Caraça desistiu pelo jeito, parece temer alguma coisa sei lá, ou está trabalhando de noite, talvez. O Leopoldo Tauffenbach também não apareceu, estranho, deve ter rolado algum compromisso sério. O Filipe Chamy estava lá e ficamos conversando muito, obviamente sobre as perdas cinematográficas da semana e depois engatamos um papo sobre cinema e quadrinhos com o Thiago Colás. Encontramos o Carlão Reichenbach e em seguida apareceu o Edu Aguilar e muitas figuras interessantes, a sessão até que estava bem cheia, com um público de cinéfilos genuínos. O filme do Mishima: RITUAL DE AMOR E DE MORTE é uma das coisas mais extraordinárias que eu já vi em toda minha vida. São trinta minutos de imagens que trabalham com virtuosismo a dicotomia AMOR/Morte e PRAZER/DOR, tão presentes na Cultura Japonesa. Os enquadramentos de pura estilização, o rito do encontro dos corpos despidos, o desejo radiante e ao mesmo tempo estático dos amantes que em alguns momentos surgem como estátuas, desembocam nas fantásticas e brutais seqüências do Arakiri, muito bem realizadas. A pele “salta” da tela, o enquadramento dos olhos, o uniforme militar, o quepe, o cenário minimalista acentuado pela fotografia em P/B, são tantas qualidades e tanta emoção contidas nessa obra única do Mestre Mishima que poderia ficar horas falando sobre esse raro exemplo de Cinema e Poesia que  guardarei com carinho para o resto da vida. Depois surge outra obra única de John Parker em sua mistura de surrealismo e expressionismo narrando em imagem e música a noite de delírio de uma mulher mergulhada na histeria e na psicose com cenas ousadas ao extremo para uma produção norte-americana da década de 50. A versão de DEMENTIA apresentada foi a do diretor, sem a narrativa inicial de uma cópia lançada posteriormente pelos produtores. O filme usou sobras dos cenários de A MARCA DA MALDADE e lembra muito Welles. Um filme de cenas marcantes com sombras, olhares e enquadramentos singulares. Foi uma noite das únicas obras de dois artistas de imensos talentos, numa oportunidade muito rara de conferir obras dessa importância em tela grande. Depois da sessão rolou aquele bate-papo ótimo e voltei de carona com o Carlão Reichenbach no “carro-submarino” do Marcelo Lyra. Quando eles me largaram aqui na frente do prédio, fiquei sabendo pelo Carlão que a Zilda Mayo morou no meu prédio !!! Nossa, que revelação maravilhosa...

Escrito por Marcelo Carrard às 23h54
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31/07/2007


Meus Ídolos Estão Partindo, um a um... Estou profundamente emocionado... ADDIO MAESTRO ANTONIONI, que sua alma nobre voe sobre o Deserto Vermelho rumo ao mais belo dos paraísos...

Escrito por Marcelo Carrard às 12h13
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30/07/2007


ADEUS BERGMAN... ADEUS GRANDE MESTRE...

A última Partida de Xadrez foi encerrada...

Escrito por Marcelo Carrard às 17h46
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29/07/2007


BOBBY: Um filme de Emilio Estevez

 

Nesse domingo gelado que fez em São Paulo aproveitei um momento de folga para ver BOBBY, um filme dirigido por Emilio Estevez, um dos filhos de Martin Scheen que fez muito sucesso como ator nos anos 80 em clássicos que marcaram muito a minha geração como o CLUBE DOS CINCO e O PRIMEIRO ANO DO RESTO DE NOSSAS VIDAS, esse ultimo que marcou a estréia como protagonista da então desconhecida Demi Moore que em BOBBY tem uma surpreendente atuação como uma cantora, casada com a personagem de Estevez que também participa como ator ao lado do pai e de um elenco de nomes conhecidos como Sharon Stone, Anthony Hopkins entre outros. O filme tem um bom material de arquivo mesclado na montagem do filme com cenas encenadas do dia 4 de junho de 1968, quando o então Senador Democrata: Robert Kennedy, foi assassinado em Los Angeles, no Hotel Ambassador. Estevez conta a história desse dia mostrando a rotina de diversas personagens que estão ligadas ao Hotel e a campanha de Bob Kennedu. É interessante a presença dos mexicanos, sempre “escondidos” na cozinha do Hotel, sempre invisíveis ao mundo dos americanos brancos. É muito divertida a viagem de LSD dos dois assessores da campanha democrata, as referências ao filme A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM e as músicas de Simon e Garfunkel. A cena do discurso é muito emocionante e todos, por um breve momento antes da tragédia anunciada, estão juntos, ligados pelo ideal e pela esperança de um mundo melhor e mais justo, sonho esse que jamais se realizaria. É um filme sobre o fim de um sonho, feito com muita sinceridade e que merece um olhar menos arrogante e mais sensível do espectador. Me lembro do dia em que estive no Cemitério de Arlington, diante do túmulo de Bob Kennedy que fica próximo do túmulo de seu famoso irmão, também assassinado seis anos antes dele. Como produção independente, que marca o trabalho de um diretor iniciante, o filme tem mais acertos do que erros. As fotos em preto e branco nos créditos finais, do arquivo pessoal da família Kennedy, me emocionaram muito, auxiliados pela bela canção que se ouvia ao fundo. Um filme que mostra as raízes do Estado de Coisas em que vivemos hoje, em um mundo sem utopias e sem sonhos, onde a forma superou o conteúdo, de muito cinismo e arrogância. Finalmente BOBBY estreou nos cinemas brasileiros. O desprezo que essa produção teve no ultimo Oscar foi absurdo, ao menos o ótimo trabalho de montagem e ordenamento das cenas documentais com as encenadas merecia algum reconhecimento...

Escrito por Marcelo Carrard às 22h13
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