Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


11/08/2007


A COMÉDIA DO PODER: Um filme de Claude Chabrol

No final dessa tarde fria de sábado onde caia uma típica garoa paulistana, fui caminhando pela Rua Augusta até o Espaço Unibanco para finalmente conferir o filme mais recente do Mestre Claude Chabrol que chegou até nosso remoto e esquecido país. Após aquele cafezinho amigo, em meio a um grupo de pessoas muito interessantes entrei no lugar aonde eu realmente me sinto feliz e confortável, sempre: uma Sala de Cinema. O filme é mais uma bem sucedida parceria de Chabrol com a magnífica atriz ISABELLE HUPPERT. Em A COMÉDIA DO PODER ela encarna com excelência uma Juíza responsável pela investigação e julgamento de um caso real de corrupção envolvendo empresários e políticos. O “Todo-Poderoso”, preso no início do filme que é marcado por um plano-sequência, é interpretado com maestria pelo ator FRANCOIS BERLÉAND. Chabrol poderia ter feito uma reconstituição burocrática dos fatos reais, mas foi por um caminho muito mais interessante, mostrando que ainda está em plena forma de sua autoria, dominando plenamente a linguagem cinematográfica e seus elementos de maneira simples sem deixar de ser brilhante do início ao fim. A força dessa dupla principal de atores, o estudo sobre o Poder e sua fragilidade, a solidão daqueles que se julgam intocáveis, a crise no casamento da personagem de Huppert, o clima de suspense e mistério pincelado algumas vezes, são alguns dos elementos da composição desse filme imperdível, com um final inesperado e genial. Chabrol continua um grande diretor e como é bom, como é prazeroso ver o trabalho de um veterano como ele, dando um banho em muitos pirralhos arrogantes e afetados que vem infestando o cinema atual...

 

 

Escrito por Marcelo Carrard às 22h33
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SESSÃO GRATUITA DE HOLY MOUNTAIN NO DIA 13 DE AGOSTO

 

Meu grande amigo e colega da Revista Zingu: DANIEL SALOMÃO e seu Brother estão organizando uma Sessão Gratuita do clássico e delirante filme de ALEJANDRO JODOROWSKY: HOLY MOUNTAIN (O MONTE SAGRADO), com legendas em português. O evento imperdível rola aqui em Sampa na Rua Augusta 1239, 1º andar, ás 19h, dessa segunda-feira, dia 13. Não percam !!!

Qualquer dúvida é só falar com o Salomão via Blog ou Orkut nas comunidades da Zingu e dos Cinéfilos Doentes.

Escrito por Marcelo Carrard às 09h49
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08/08/2007


O EDIFÍCIO YACOUBIAN, de Marwan Hamed e BUBBLE, de Eylan Fox: Dois Belos Filmes do Oriente-Médio Chegam até nós.

Nessa semana vi dois filmes muito interessantes em duas Cabines de Imprensa no Reserva Cultural. O primeiro foi na segunda-feira: O EDIFÍCIO YACOUBIAN, uma produção vinda do Egito e dirigida por Marwan Hamed. Co-produção com a França o filme mostra as desventuras agridoces de um grupo de moradores de um famoso edifício na Cidade do Cairo. Vemos o nascimento de um terrorista fundamentalista, mulheres carnudas, bem ao gosto dos árabes, em suas buscas pelo amor passando pelo sofrimento e pela opressão de uma sociedade machista e intolerante, um homem gay e sua inusitada relação com um soldado, mostrada com ousadia para padrões de uma produção árabe em um filme de sequências bem fotografadas em uma produção tecnicamente impecável. A condução de personagens tão interessantes rumo ao abismo é narrada com tintas fortes do Melodrama com elementos fortes da Tragédia. O final, porém, mostra um fio de redenção, me remetendo ao universo de Chaplin. Um belo filme, amargo e belo ao mesmo tempo, além de ser uma oportunidade rara de vermos no Brasil um filme egípcio, algo comum em poucas cidades do mundo ocidental como Paris. Um lançamento corajoso, sem dúvida. Já hoje, fui ver um dos destaques do Festival de Cinema Judaico em uma Cabine de Imprensa concorrida, o filme: BUBBLE, dirigido pelo israelense Eylan Fox. O filme mostra o cotidiano de três jovens amigos que dividem um apartamento em Tel Aviv. Noam é um belo vendedor de uma loja de Cds que volta de um breve serviço militar, ele é gay e divide o apartamento com o amigo, também gay Yali e a amiga hetero Lulu, uma linda morena. Os três são muito carismáticos e representam a nova juventude de esquerda israelense, diferente dos padrões da esquerda dos anos 60. Agora eles são liberais, contra a guerra e a favor de uma convivência pacífica entre judeus e palestinos, além de curtirem uma rave e um Ecstasy de vez em quando. O início do filme mostra Noam na fronteira sempre tensa entre Israel e a Palestina onde os soldados israelenses tratam os palestinos como lixo e sempre está onipresente a ameaça dos Homens-Bomba. As imagens dessa sequência são quase documentais, com a câmera na mão acentuando a tensão e ainda criando uma relação de metalinguagem pela presença de um grupo de documentaristas. Após presenciar uma situação trágica, Noam volta para Tel Aviv, para a “Bolha” do título, onde o terrorismo parece estar mais distante e onde eles vivem suas vidas ao lado dos amigos cosmopolitas, modernos e descolados. Muitas referências Pop aparecem no filem como a versão hebraica do American idol, o Israeli Idol, citações de astros gays do mundo Pop como os Pet Shop Boys e o George Michael e a música da nossa BEBEL GILBERTO sendo ouvida de fundo em muitas cenas. Ainda sobre a música no filme a trilha tem muitos temas do Pop e do Rock, principalmente britânicos e de música eletrônica na borbulhante seqüência da Rave na beira da praia. O elemento que “rompe” a “Bolha” é o namorado de Noam que é palestino. O filme mostra a intolerância surgindo tanto do lado palestino quanto do lado israelense. Existe uma importante citação da famosa peça teatral BENT que já foi montada no Brasil e virou filme, que narra a história de amor entre dois prisioneiros de um Campo de Concentração nazista. Um filme de emoções sinceras, que mostra o duelo desigual de forças poderosas e antagônicas como o amor e o ódio, a tolerância e a Intolerância. Fazia tempo que eu não chorava tanto no final de um filme como hoje. As opiniões se dividiram na saída. No início do filme Noam fala que é difícil ser gay na Palestina, como se no Brasil fosse muito diferente...

O Edifício Yacoubian deve estrear nessa sexta-feira, e Bubble na próxima semana. Em tempo: O Grande Chefe do Lars Von Trier deve estrear dia 24 de agosto e BUG aka POSSUÍDOS do Friedkin, no dia 31, mas essas datas podem mudar na última hora.

Escrito por Marcelo Carrard às 14h10
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06/08/2007


O RETORNO DE ANDRÉA ORMOND

 

Em meio aos seus compromissos acadêmicos e um recente período de férias onde passeou pelas dramáticas paisagens da Patagônia Argentina, ao lado de seu “ursinho” Carlos, ANDRÉA ORMOND, minha adorada amiga e confidente carioca está de volta ao mundinho virtual em grande estilo. Seu obrigatório Blog:ESTRANHO ENCONTRO voltou a ser atualizado e de quebra ela é um dos destaques do excelente site MULHERES DO CINEMA BRASILEIRO. Seja bem vinda minha amada criatura. Você faz a diferença, sempre...

Escrito por Marcelo Carrard às 23h45
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A POLÊMICA EDIÇÂO # 11 da ZINGU já está no ar...

 

Bafão !!! bem, nem sei como anunciar essa Edição 11 da ZINGU. Em primeiro lugar gostaria de deixar claro que na minha opinião e de outras pessoas importantes como o Carlão Reichenbach, o Inácio Araújo, além do Sérgio Andrade e do Ailton Monteiro: O BAIXIO DAS BESTAS é um grande filme, um dos melhores do ano com certeza. MAS o Sr EDUARDO AGUILAR, que eu ando achando que é um ariano disfarçado de canceriano,  não acha isso e em sua coluna promete causar polêmica e muita discussão. É um dos grandes destaques dessa Edição, embora eu não concorde com absolutamente nada do que ele escreveu. Outro detalhe importante: o moço que é Editor-Chefe da Revista, aquele mesmo que mora perto do Shopping Eldorado, falou na Carta ao Leitor usando a primeira pessoa do plural se referindo a minha Coluna dos Subgêneros Obscuros: Crianças Assassinas. Para quem nunca leu a Zingu e ler a Carta ao leitor parece que a Coluna não tem autor, mas tem, eu mesmo. Como já havia antecipado falei na Coluna Cinema Extremo sobre Papaya Dei Caraibi de Joe D’Amato.  O Dossiê especial é sobre o grande Crítico Carlos Motta e ainda tem uma entrevista com um ex-assistente do Sady Baby, um resgate da maravilhosa Cassandra Rios, o Raphael Carneiro destacando o Kinks e o Gabriel Carneiro respondendo de maneira brilhante o Papo Furado, com direito a uma alfinetada na minha pessoa, que me isento de responder agora, deixo para mais tarde.  Querem saber mais? lerem mais?, é só acessar e se divertir muito nesse mês onde reina o fogo leonino e os cães raivosos rosnam...

Escrito por Marcelo Carrard às 17h16
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