O EDIFÍCIO YACOUBIAN, de Marwan Hamed e BUBBLE, de Eylan Fox: Dois Belos Filmes do Oriente-Médio Chegam até nós.

Nessa semana vi dois filmes muito interessantes em duas Cabines de Imprensa no Reserva Cultural. O primeiro foi na segunda-feira: O EDIFÍCIO YACOUBIAN, uma produção vinda do Egito e dirigida por Marwan Hamed. Co-produção com a França o filme mostra as desventuras agridoces de um grupo de moradores de um famoso edifício na Cidade do Cairo. Vemos o nascimento de um terrorista fundamentalista, mulheres carnudas, bem ao gosto dos árabes, em suas buscas pelo amor passando pelo sofrimento e pela opressão de uma sociedade machista e intolerante, um homem gay e sua inusitada relação com um soldado, mostrada com ousadia para padrões de uma produção árabe em um filme de sequências bem fotografadas em uma produção tecnicamente impecável. A condução de personagens tão interessantes rumo ao abismo é narrada com tintas fortes do Melodrama com elementos fortes da Tragédia. O final, porém, mostra um fio de redenção, me remetendo ao universo de Chaplin. Um belo filme, amargo e belo ao mesmo tempo, além de ser uma oportunidade rara de vermos no Brasil um filme egípcio, algo comum em poucas cidades do mundo ocidental como Paris. Um lançamento corajoso, sem dúvida. Já hoje, fui ver um dos destaques do Festival de Cinema Judaico em uma Cabine de Imprensa concorrida, o filme: BUBBLE, dirigido pelo israelense Eylan Fox. O filme mostra o cotidiano de três jovens amigos que dividem um apartamento em Tel Aviv. Noam é um belo vendedor de uma loja de Cds que volta de um breve serviço militar, ele é gay e divide o apartamento com o amigo, também gay Yali e a amiga hetero Lulu, uma linda morena. Os três são muito carismáticos e representam a nova juventude de esquerda israelense, diferente dos padrões da esquerda dos anos 60. Agora eles são liberais, contra a guerra e a favor de uma convivência pacífica entre judeus e palestinos, além de curtirem uma rave e um Ecstasy de vez em quando. O início do filme mostra Noam na fronteira sempre tensa entre Israel e a Palestina onde os soldados israelenses tratam os palestinos como lixo e sempre está onipresente a ameaça dos Homens-Bomba. As imagens dessa sequência são quase documentais, com a câmera na mão acentuando a tensão e ainda criando uma relação de metalinguagem pela presença de um grupo de documentaristas. Após presenciar uma situação trágica, Noam volta para Tel Aviv, para a “Bolha” do título, onde o terrorismo parece estar mais distante e onde eles vivem suas vidas ao lado dos amigos cosmopolitas, modernos e descolados. Muitas referências Pop aparecem no filem como a versão hebraica do American idol, o Israeli Idol, citações de astros gays do mundo Pop como os Pet Shop Boys e o George Michael e a música da nossa BEBEL GILBERTO sendo ouvida de fundo em muitas cenas. Ainda sobre a música no filme a trilha tem muitos temas do Pop e do Rock, principalmente britânicos e de música eletrônica na borbulhante seqüência da Rave na beira da praia. O elemento que “rompe” a “Bolha” é o namorado de Noam que é palestino. O filme mostra a intolerância surgindo tanto do lado palestino quanto do lado israelense. Existe uma importante citação da famosa peça teatral BENT que já foi montada no Brasil e virou filme, que narra a história de amor entre dois prisioneiros de um Campo de Concentração nazista. Um filme de emoções sinceras, que mostra o duelo desigual de forças poderosas e antagônicas como o amor e o ódio, a tolerância e a Intolerância. Fazia tempo que eu não chorava tanto no final de um filme como hoje. As opiniões se dividiram na saída. No início do filme Noam fala que é difícil ser gay na Palestina, como se no Brasil fosse muito diferente...
O Edifício Yacoubian deve estrear nessa sexta-feira, e Bubble na próxima semana. Em tempo: O Grande Chefe do Lars Von Trier deve estrear dia 24 de agosto e BUG aka POSSUÍDOS do Friedkin, no dia 31, mas essas datas podem mudar na última hora.