PLANET TERROR – VERSÃO DE 90 MIN PARA OS CINEMAS BRASILEIROS

Hoje pela manhã participei de uma Cabine de Imprensa Surpresa de PLANET TERROR aka PLANETA TERROR, em uma versão mais longa de sua concepção original que integrava o Double Feature Film GRINDHOUSE ao lado de DEATH PROOF aka À PROVA DE MORTE de Quentin Tarantino. Foi um impacto muito grande o de ver esse filme saboroso em uma tela de cinema. Um detalhe engraçado foi a notícia de que o pessoal do laboratório que fez a cópia do filme aqui no Brasil reclamou para a distribuidora Europa Filmes de que os negativos estavam “Com defeito”, “Com falhas e arranhões...” sem comentários, quanta falta de informação desse povo. Foi a primeira exibição dessa cópia específica no Brasil e algumas legendas ainda estão sem sincronia. A estréia nacional é no dia 2 de novembro, era para ser dia 12 de outubro mas mudou hoje, certamente o pessoal da distribuidora quer divulgar o filme no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o mesmo já está rolando com o DEATH PROOF. Nessa versão para os cinemas brasileiros, com 90 min de duração, tudo começa com a maravilhosa vinheta da Grindhouse Releases anunciando um trailer que passa em seguida. MACHETE !!! Sensacional, que trailer divertido e que me remeteu aos bons tempos do início do VHS onde filmes assim povoavam as prateleiras das locadoras, muito divertido. Depois aparece novamente a vinheta da Grindhouse Releases e daí eles mostram um anúncio dizendo que o filme é proibido para menores de 18 anos. Começa Planet Terror. A deslumbrante ROSE MCGOWAN encarnando a sensual dançarina Cherry é o grande destaque do filme, segurando o carão do início ao fim do filme. No elenco ainda tem figuras muito interessantes como Bruce Willis e até o genial Mestre dos Efeitos de Maquiagem: Tom Savini. A recriação neobarroca de todos os elementos que povoaram o universo das produções de baixo orçamento de filmes de gênero dos anos 70 e 80 é primorosa. Da música ao figurino, dos cabelos aos maneirismos de linguagem, enfim, tudo é muito bem recriado e recebe uma nova roupagem sem esquecer do experimentalismo que surge nas impressões das falhas e arranhões no negativo, os pulos bruscos de uma cena para a outra, a genial cena de sexo que acaba “incendiando” o negativo fazendo surgir o aviso de que a cena está faltando, enfim, Rodrigues nos mostra que o experimentalismo não precisa ser hermético e nem pedante. Uma emocionada homenagem ao Cinema Marginal, de cinemas da região central com seus programas duplos e seus filmes inesquecíveis. Me lembro com carinho de meus tempos de Grinhouse versão brazuca onde algumas salas sempre programavam ou um filme de pancadaria/Kung-Fu e Horror e em seguida um filme de sacanagem. Como eram bons aqueles tempos Como foram importantes para minha formação conhecer essas obras tão marginalizadas no passado e que agora recebem a devida atenção...
Os Zumbis de Planet Terror muitas vezes parecem saídos de Dawn of the Dead de Romero ou de algum clássico de Lucio Fulci, assim como de alguma podreira maravilhosa do Bruno Mattei. A sequência do estupro, ou da tentativa de, protagonizada pelo Tarantino já entrou para a História, inacreditável, hilária, bizarra e genial. A outra protagonista feminina: a Dra Dakota, interpretada por Marley Shelton é muito interessante. A cena das seringas é ótima e seu desdobramento em uma figura típica de filmes WIP/Naziexploutation acabam criando todo um charme retrô e europeu ao filme. As referências/influências são muitas em Planet Terror. A maneira com que Rodrigues construiu seu filme é simplesmente brilhante, dosando um pouco de tudo. Na tela de cinema o filme tem um impacto muito grande, principalmente as manipulações propositais do negativo. Cherry com sua metralhadora no lugar da perna é algo simplesmente inesquecível. Nasce uma Musa Eterna !!!

PS
Amanhã embarco para o FANTASPOA em Porto Alegre. Estarei editando o Blog por lá, contando tudo que estiver rolando no Festival. Até mais crianças...




Leia este blog no seu celular