FIM DE SEMANA COM BALADA NA BEARLAND E UMA SESSÃO COM O PODEROSO FILME DE PAUL THOMAS ANDERSON: "SANGUE NEGRO" aka "THERE WILL BE BLOOD"

Nesses 11 dias que me restam de Inferno Astral, até meu aniversário no dia 28, nada melhor do que nadar contra a correnteza, chutar para longe a caretice vigente no Brasil e se divertir muito, pois a vida é curta demais para se perder tempo com tristezas inúteis. Então, aproveitei a visita de um Ursão amigo muito especial, meu Xará Marcelo Gomes, Editor da Bear Magazine, e fomos para a balada "Ursina". Era noite de BEARLAND, festa só para Chasers, como eu, Bears/Cubs e Chubbys em geral. Sempre é maravilhoso poder ir em um lugar onde o som é Underground naturalmente, com muito Eletro e afins, onde não precisa fazer a barba, nem um ano de musculação na academia e o melhor de tudo é que podemos soltar o barrigão, he he he... Foi muito divertido, muitos Bears lindos, muitos amigos, cervejinha gelada e boa música, foi muito legal e o Marcelo é muito fofo... No domingão acabei indo na primeira sessão do dia, super-hiper-lotada do filme de Paul Thomas Anderson: SANGUE NEGRO. Mais surpreendente que o filme em si, é o fato dele estar concorrendo a tantos Oscars. Como exercício de autoria consegue ser mais radical que o filme dos Coen. Seus 160 min de duração não são fáceis para o espectador comum e não iniciado em "Cinema de Arte" (Odeio esse termo). A trilha sonora de Jonny Greenwood do Radiohead, que ganhou ontem o Prêmio de Melhor Contribuição Artística no Festival de Berlim, é surpreendente em seu poder diegético, aparecendo apenas nos momentos certos. A Direção de Anderson, também premiada em Berlim, é precisa, metódica, de um raro virtuosismo. A fotografia usa a luz do sol de maneira muito criativa nas cenas externas e cria texturas pictóricas barrocas em muitos momentos de sequências de interiores. Os primeiros minutos, sem diálogos, mostrando a relação do protagonista com a escavação e seu cenário sombrio e árido, são uma Aula de Cinema. Os jorros do Petróleo, o fogo, a brutalidade das personagens diante daquele "Novo Ouro", ainda abre um espaço para mostrar as raízes das alianças da Direita Cristã com os produtores de Petróleo, base do Clã Bush nos EUA. O filme percorre caminhos pedregosos fazendo poucas concessões ao espectador, se comparado ao filme dos Coen, mesmo assim é um belo exemplo da coragem e da ousadia artísticas desse grande Diretor. A sequência longa final é digna de Stanley Kubrick, um final poderoso para um filme Idem, onde Daniel Day Lewis tem a melhor performance de toda sua carreira.