Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


12/04/2008


UM BEIJO ROUBADO – A NOVA OBRA-PRIMA DE WONG KAR WAI

Sempre achei muito curioso o ódio quase patológico de determinados amigos com relação ao Cinema de grande e singular acento autoral do chinês WONG KAR WAI. São sempre as mesmas frases repetidas e uma retórica embebida de amargura e desprezo desnecessários, pois afinal cada um se emociona com um filme de maneira muito particular. Bom, felizmente KAR WAI não perde tempo com os ataques feitos ao seu trabalho em mesas de botecos e graças a isso somos brindados por filmes de rara beleza e simplicidade como esse novo UM BEIJO ROUBADO aka MY BLUEBERRY NIGHTS. Em sua primeira produção falada em inglês e sem um elenco oriental, Kar Wai exercita seu estilo com menos tensões cromáticas, lembrando muito as atmosferas de AMORES EXPRESSOS e FELIZES JUNTOS. Como em AMOR À FLOR DA PELE vemos os encontros e desencontros dos amantes, mas dessa vez com uma linearidade circular. NORAH JONES está bela, plena e surpreendente como atriz. Seu encontro inicial com a personagem de JUDE LAW em um café de Nova Iorque é genial em sua simplicidade e poesia. Ambas personagens foram abandonadas pelos seus amantes e se descobrem sutilmente encantados um pelo outro. A cena da câmera de segurança é muito interessante e o grande momento desse encontro surge no ato de contemplação dele, maravilhado com o rosto de sua nova e inesperada paixão adormecida no balcão do café. Só os amantes sabem como é sublime ver o rosto da pessoa amada adormecida e KAR WAI eterniza esse momento de maneira simples e original. A partir desse momento ocorrem os encontros e desencontros das personagens em uma viagem pela América, em uma visão muito particular do Diretor. Outras musas surgem belas e plenas em cena: RACHEL WEISZ e NATALIE PORTMAN, simplesmente deslumbrantes. KAR WAI sabe filmar as mulheres como poucos cineastas da atualidade. A sequência final é emocionante e a trilha sonora de Ry Cooder além de recriar o tema principal de AMOR À FLOR DA PELE em um arranjo Blues, tem standards do jazz e do soul, uma trilha obrigatória diga-se de passagem. Mais "econômico" do que costuma contar suas fábulas sobre o amor e a solidão, o Diretor evita ser barroco até quando filma a luminosa e kitsch cidade de Las Vegas. Um filme de encantos surpreendentes, olhares furtivos e beijos roubados. Lindo e sublime como o amor...

Escrito por Marcelo Carrard às 00h55
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08/04/2008


A ZINGU # 19 JÁ ESTÁ NO AR !!!

Amadas criaturas. Mais uma Edição da ZINGU chega ás Bancas Virtuais. Nesse número continuam o Dossiê com as Musas da Boca do Lixo, temos o CANTINHO DO AGUILAR, temos o GABRIEL CARNEIRO falando sobre o Clássico Absoluto: A CARRUAGEM FANTASMA e muito mais. De minha parte continuo o Especial RUSS MEYER na Coluna CINEMA EXTREMO e inauguro a nova Seção da Zingu: SESSÃO INESQUECÍVEL, onde narro o impacto que tive aos nove anos de idade quando vi TUBARÃO de Steven Spielberg no cinema em 1975. O DINIZ estréia como Colaborador fixo e na Coluna Musas Eternas: Isabelle Adjani. Leiam sem moderação e divulguem, por favor. Beijos a todos !!!

WOOF !!!

Escrito por Marcelo Carrard às 17h41
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06/04/2008


SHINE A LIGHT – UM DOCUMENTÁRIO MUSICAL DE MARTIN SCORSESE

Na tarde chuvosa que fez nesse domingo em São Paulo, resolvi conferir aqui ao lado de casa no Unibanco Arteplex, o tão aguardado documentário de MARTIN SCORSESE sobre a última tour dos ROLLING STONES. Scorsese já fez ótimos Docs sobre músicos como a The Band e Bob Dylan e parece que agora vai fazer um sobre Bob Marley. Em SHINE A LIGHT vemos os bastidores de um show dos Stones no Beacon, clássico Teatro de Nova Iorque, com a presença do casal Bill e Hillary Clinton. Scorsese aparece muitas vezes em cena e a cara dele com a chegada do Casal Clinton é impagável. Sentimos toda a emoção dos momentos que antecedem o show. Quando eles entram de vez no palco o cinema é invadido por sons, luzes e cores hipnóticas. São 20 câmeras retratando tudo em ângulos geniais que me fizeram sentir no meio da platéia muitas vezes. Um dos momentos mais emocionantes é quando eles cantam AS TEARS GORS BY, que foi imortalizada por Marieanne Faithfull, grande e emocionante momento. A participação de BUDDY GUY é antológica, ele parece um menino brincando com os amigos e sua voz continua poderosa. Keith Richards se revela uma criatura muito simpática e debochada. Presenciamos olhares inusitados e vemos como esses veteranos adoram estar juntos no palco. O momento "satânico" e genial surge quando Mick Jagger canta SYMPATHY FOR THE DEVIL, num grande momento do filme que é costurado por imagens de arquivo da banda nos anos 60 e 70, sensacionais e hilários. Christina Aguilera até canta bem tadinha mas seu figurino é um desastre, absolutamente UÓ. A sequência final é surpreendente e saí do cinema extasiado com tanta energia, tantas imagens geniais. Ah, tem a hora que o JACK WHITE canta com os Stones, muito legal. Um filme delicioso que aqueceu meu domingo. Despretensioso e emocionante.

Escrito por Marcelo Carrard às 19h55
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