UM BEIJO ROUBADO – A NOVA OBRA-PRIMA DE WONG KAR WAI Sempre achei muito curioso o ódio quase patológico de determinados amigos com relação ao Cinema de grande e singular acento autoral do chinês WONG KAR WAI. São sempre as mesmas frases repetidas e uma retórica embebida de amargura e desprezo desnecessários, pois afinal cada um se emociona com um filme de maneira muito particular. Bom, felizmente KAR WAI não perde tempo com os ataques feitos ao seu trabalho em mesas de botecos e graças a isso somos brindados por filmes de rara beleza e simplicidade como esse novo UM BEIJO ROUBADO aka MY BLUEBERRY NIGHTS. Em sua primeira produção falada em inglês e sem um elenco oriental, Kar Wai exercita seu estilo com menos tensões cromáticas, lembrando muito as atmosferas de AMORES EXPRESSOS e FELIZES JUNTOS. Como em AMOR À FLOR DA PELE vemos os encontros e desencontros dos amantes, mas dessa vez com uma linearidade circular. NORAH JONES está bela, plena e surpreendente como atriz. Seu encontro inicial com a personagem de JUDE LAW em um café de Nova Iorque é genial em sua simplicidade e poesia. Ambas personagens foram abandonadas pelos seus amantes e se descobrem sutilmente encantados um pelo outro. A cena da câmera de segurança é muito interessante e o grande momento desse encontro surge no ato de contemplação dele, maravilhado com o rosto de sua nova e inesperada paixão adormecida no balcão do café. Só os amantes sabem como é sublime ver o rosto da pessoa amada adormecida e KAR WAI eterniza esse momento de maneira simples e original. A partir desse momento ocorrem os encontros e desencontros das personagens em uma viagem pela América, em uma visão muito particular do Diretor. Outras musas surgem belas e plenas em cena: RACHEL WEISZ e NATALIE PORTMAN, simplesmente deslumbrantes. KAR WAI sabe filmar as mulheres como poucos cineastas da atualidade. A sequência final é emocionante e a trilha sonora de Ry Cooder além de recriar o tema principal de AMOR À FLOR DA PELE em um arranjo Blues, tem standards do jazz e do soul, uma trilha obrigatória diga-se de passagem. Mais "econômico" do que costuma contar suas fábulas sobre o amor e a solidão, o Diretor evita ser barroco até quando filma a luminosa e kitsch cidade de Las Vegas. Um filme de encantos surpreendentes, olhares furtivos e beijos roubados. Lindo e sublime como o amor...




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