SOBRE A NOITE DO MACARTISMO NA SESSÃO COMODORO Nessa noite de 7 de maio tive o grande prazer de descobrir um grande filme de EDWARD DMYTRYK: HITLER’S CHILDREN aka OS FILHOS DE HITLER. O filme foi programado como atração principal da Sessão Comodoro. Antes passou um curta sobre os 10 profissionais do Cinema Norte-Americano perseguidos pelo Macartismo nos anos 40 intitulado : OS DEZ DE HOLLYWOOD. Dmytryk foi um desses 10 e teve uma trajetória confusa. Depois de ser perseguido, acusado de pertencer ao Partido Comunista, se exilou na Inglaterra, depois voltou aos EUA e delatou companheiros e depois, por causa das delações, se exilou novamente na França e na Grécia onde fez vários filmes. Me impressionou a qualidade de Os Filhos de Hitler em sua estrutura de tragédia com elementos de melodrama. Me lembrou Orson Welles em seu início de enquadramentos inspirados e uso criativo da fotografia com um impactante enquadramento que mostra uma fogueira em meio a duas bandeiras nazistas. A trama do casal de jovens alemães e sua transformação pelo regime nazista é contada com singeleza em muitos momentos, onde a perda da inocência e o sufocante horror totalitário os conduz para o abismo. Feito em 1943, o filme é contemporâneo de ROMA CIDADE ABERTA e também tem a importante figura de um padre em cena. Aliás a sequência onde os soldados nazistas entram na igreja durante uma missa é impressionante, antológica eu diria. Outro momento muito impactante é a sequência onde aparece uma clínica de esterilização de mulheres que poderiam gerar filhos com alguma deficiência física, numa tentativa doentia de "purificar" a raça alemã. Um documento importante e muito sincero da luta contra todo e qualquer regime totalitário e intolerante. Uma grande surpresa. O encontro com os amigos foi ótimo: Leopoldo Tauffenbach, Chaia, Thiago Colás, o Carlão Reichenbach, os rolos com trocas de filmes e informações, os papos sobre cinema, tudo correu muito bem, como sempre. Mês que vem deve rolar um Documentário sobre os 50 piores filmes de todos os tempos. Imperdível.




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