Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


08/05/2008


SOBRE A NOITE DO MACARTISMO NA SESSÃO COMODORO

Nessa noite de 7 de maio tive o grande prazer de descobrir um grande filme de EDWARD DMYTRYK: HITLER’S CHILDREN aka OS FILHOS DE HITLER. O filme foi programado como atração principal da Sessão Comodoro. Antes passou um curta sobre os 10 profissionais do Cinema Norte-Americano perseguidos pelo Macartismo nos anos 40 intitulado : OS DEZ DE HOLLYWOOD. Dmytryk foi um desses 10 e teve uma trajetória confusa. Depois de ser perseguido, acusado de pertencer ao Partido Comunista, se exilou na Inglaterra, depois voltou aos EUA e delatou companheiros e depois, por causa das delações, se exilou novamente na França e na Grécia onde fez vários filmes. Me impressionou a qualidade de Os Filhos de Hitler em sua estrutura de tragédia com elementos de melodrama. Me lembrou Orson Welles em seu início de enquadramentos inspirados e uso criativo da fotografia com um impactante enquadramento que mostra uma fogueira em meio a duas bandeiras nazistas. A trama do casal de jovens alemães e sua transformação pelo regime nazista é contada com singeleza em muitos momentos, onde a perda da inocência e o sufocante horror totalitário os conduz para o abismo. Feito em 1943, o filme é contemporâneo de ROMA CIDADE ABERTA e também tem a importante figura de um padre em cena. Aliás a sequência onde os soldados nazistas entram na igreja durante uma missa é impressionante, antológica eu diria. Outro momento muito impactante é a sequência onde aparece uma clínica de esterilização de mulheres que poderiam gerar filhos com alguma deficiência física, numa tentativa doentia de "purificar" a raça alemã. Um documento importante e muito sincero da luta contra todo e qualquer regime totalitário e intolerante. Uma grande surpresa.

O encontro com os amigos foi ótimo: Leopoldo Tauffenbach, Chaia, Thiago Colás, o Carlão Reichenbach, os rolos com trocas de filmes e informações, os papos sobre cinema, tudo correu muito bem, como sempre. Mês que vem deve rolar um Documentário sobre os 50 piores filmes de todos os tempos. Imperdível.

Escrito por Marcelo Carrard às 01h02
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05/05/2008


ZINGU # 20 Está no Ar !!!

Queridos ! Início de mês e mais uma ZINGU no ar. Nessa Edição do mês de maio temos uma entrevista sensacional com o Diretor JULIUS BELVEDERE, um herói esquecido da Boca do Lixo que dirigiu o fantástico: O CASTELO DAS TARAS, que tive o prazer de ver no finado Cine Imperial em Porto Alegre, em algum lugar remoto de meu passado cinéfilo. Temos a estréia de mais uma moça na equipe: STEFANIE GASPAR, nossa nova escriba de Literatura. O GABRIEL CARNEIRO "invadiu" o Set de filmagens do já Cult Movie: AUGUSTAS, e conta tudo. Tem uma homenagem a CHARLTON HESTON também. De minha parte escrevi minhas observações sobre MONDO TOPLESS de RUSS MEYER, sobre Enfermeiras no Cinema e Sobre CULINÁRIA E CINEMA EXTREMO.

Leiam, sem moderação, e se divirtam muito.

Escrito por Marcelo Carrard às 23h52
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04/05/2008


EXCITAÇÃO

Uma Obra-Prima de Jean Garret

 

 

Fiquei muito triste quando perdi a chance de ver EXCITAÇÃO na Cinemateca, um filme muito interessante de Jean Garret que escreveu o roteiro ao lado do Mestre Ody Fraga e que tem uma inusitada trilha-sonora eletrônica de Beto Strada, além de uma inspirada Direção de Fotografia do Carlão Reichenbach. MAS nessa madrugada, para minha surpresa, o filme passou no Canal Brasil, com uma cópia excelente e me ví obrigado a ficar acordado de madrugada, em meio ao silêncio que me cercava para me deliciar com essa Obra-Prima da Boca do Lixo paulistana. Como eu sempre falo, por algum efeito mágico, sem explicação, os filmes sempre acabam nos encontrando e foi um encontro inesquecível.

A trama desse filme de 1976, trabalha com elementos do Cinema Fantástico de maneira muito eficiente. Tudo começa na abertura com a sequência muito bem montada do suicídio de um homem. Vemos os ótimos créditos iniciais com os closes dos olhos que me lembraram Um Corpo Que Cai de Hitchcock. A excelente trilha-sonora já mostra sua força, se tornando um dos pontos altos do filme. KATE HANSEN está linda em cena como a protagonista da história: uma mulher que vive isolada em uma casa na praia e passa a ser atacada pelos eletrodomésticos que a cercam. A sequência do chuveiro é espetacular. A sequência em que a TV liga sozinha durante a noite acordando a protagonista, está passando um filme onde se encena um ritual satânico, muito legal isso. A atmosfera de horror e claustrofobia aumenta pouco a pouco. O marido, interpretado por Flávio Galvão, é cético e obviamente não acredita na mulher. Muita sensualidade nas cenas de nudez e na presença de atrizes famosas da época como ZILDA MAYO. O filme guarda suas surpresas até o final com direito a citação de filmes de zumbi e muito mais. Não imaginava que o filme pudesse ser tão surpreendente, tão original. Um grande exemplar clássico do Cinema Fantástico Brasileiro que precisa ser descoberto com urgência pelas novas gerações.

E TENHO DITO.

Escrito por Marcelo Carrard às 15h43
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