FUNNY GAMES – A REFILMAGEM

Ontem fui na cabine de imprensa do filme de Michael Hanecke, no caso sua “auto-refilmagem”: Funny Games aka Violência Gratuita. Devo escrever mais sobre esse filme para o Boca do Inferno, mas faço algumas observações por aqui:
Os novos atores são ótimos e Naomi Watts está linda como a singela mãe e esposa casada com o personagem George, interpretado pelo excelente Tim Roth. Não entendi até agora o porque dessa refilmagem praticamente quadro a quadro do filme original. Me lembro de um amigo, o José Rocha, de Fortaleza, que certa vez entrevistou o Hanecke em Viena e o cineasta se negou a falar em inglês, somente daria a entrevista em alemão ou francês... sem contar o fato de Hanecke ser totalmente anti-hollywood e ideologicamente de esquerda. Bom, eu adoro o Cinema que ele faz, para poucos, muito amado e muito odiado, basta lembrar do protesto famoso do Carlão Reichenbach durante a projeção da primeira versão de Funny Games, o filme realmente é provocador e não tem meio termo. A refilmagem apenas mudou a ordem de algumas situações mas tudo está lá: as quebras brechtianas, o final aterrador e uma inédita brincadeira de achar o cachorro que muitos devem ter visto por aí na net. Hanecke é niilista ao extremo nesse filme, nos jogando em um mundo onde Deus não existe e estamos todos condenados ao abismo. Gélido esse cineasta austríaco, que tantos amam e que tantos odeiam com todas as forças.. Pena que nunca lançaram outro austríaco barra-pesada: Dias de Cão, que passou só na Mostra SP e que aterrorizou os “Cinéfilos do Google” presentes na sessão. Tem o On Evil Grounds que é ótimo e também austríaco. Por enquanto é isso crianças...


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