
Hoje fui na salinha 5 do Espaço Unibanco ver o sensacional filme de Matteo Garrone: GOMORRA, Tenho boas lembranças dessa pequena sala de projeção, onde tive o prazer de ver uma cópia restaurada de CASABLANCA, em uma das sessões de cinema mais emocionantes de toda a minha vida... GAMORRA tem sido equivocadamente chamado de "O Cidade De Deus Italiano". Ao contrário do popular filme brasileiro, GAMORRA é uma obra autoral poderosa narrada de forma quase documental, com cores frias, cenas sombrias e uma performance realista dos atores que bebe nas matrizes sagradas do Neorealismo Italiano, remetendo aos experimentos de Pasolini e principalmente na Obra Prima de Gillo Pontecorvo: A Batalha de Argel. O roteiro foge das obviedades e dos maneirismos clássicos dos filmes policiais caminhando sempre para o abismo. O filme vai pelo caminho oposto das tramas mafiosas, seus personagens são os esquecidos, os feios, sujos e malvados, aqueles que estão na periferia do sonho de uma Europa unificada, a sequência final remete diretamente ao clássico de Buñuel: Os Esquecidos. Sem exageros, sem uma glamourização da violência, temos em Gomorra mais de duas horas de um filme incômodo, áspero e impecavelmente bem dirigido.A abertura é muito impactante mostrando uma chacina com ótima trilha sonora. A cena da boate é o único moimento onde a figura das mulheres surge com força em cena com muita nudez em um respiro diante de uma história sobre o universo masculino, com os códigos de honra, suas vinganças e seus jogos de poder. Diante da comparação com Cidade de Deus, modestamente afirmo que GOMORRA é infinitamente superior ao filme brasileiro. GOMORRA é uma Obra Prima poderosa, um documento visceral de um mundo que Deus parece não conhecer, ficando de costas e em silêncio diante de tanta barbárie e niilismo...