Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


05/03/2009


HARDCORE VIDA FÁCIL: O Novo Cinema Grego na Sessão Comodoro.

Os dias e noites aqui em Sampa tem sido de um calorão absurdo, fora do normal. A noite de ontem foi complicada mas o ar condicionado do Cinesesc salvou tudo. Continua por lá a exposição de fotos dedicada ao Cinema Italiano em sua maioria e que antecipa uma Mostra Fellini, Mostra essa que já rolou, em película, anos atrás. Claro que faltaram centenas de imagens pois o Cinema Italiano é de uma grandeza múltipla e com muitas imagens inesquecíveis. Achei no mínimo engraçado quando uma moçinha que eu nunca vi antes na vida veio perguntar para mim se eu tinha alguma dúvida sobre a exposição, justo para mim... tadinha, me deu vontade de falar:”Querida, eu posso dar um curso completo sobre Cinema Italiano, além do mais essa exposição não tem uma imagem de Mario Bava e isso é grave pois ele é tão importante quanto Fellini e Pasolini...” Mas preferi ficar quieto e agradecer pois com certeza a tal moçinha nem sabe quem é Mario Bava. Ai, ai, fico eu no desespero por um trabalho que me reconheça enquanto a área de Cinema é ocupada por amadores e espertinhos em geral...

O tal filme grego sobre o universo sórdido da Prostituição iofantil tem grandes momentos, uma câmera criativa, bela fotografia e trilha sonora. Consegue ser chocante e causa algum estranhamento pelo tema delicado, pela crueza que se mescla ao onírico a um tentativa de compor quadros onde o Diretor parece querer mostrar sua erudição no domínio da linguagem cinematográfica. Os defeitos do filme são além da protagonista, muito chata e o fato de não ter encerrado o filme no momento certo. Mas valeu assim mesmo. Depois ficamos até ás 3 da manhã no botecão da esquina e foi muito bom. Enfim, mais uma sessão passou, vamos aguardar as próximas ediçõs, O Carlão está prometendo alguns diamantes extremos para esse ano.

Escrito por Marcelo Carrard às 17h50
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04/03/2009


MILK

Muito eu esperava sobre esse filme de Gus Van Sant. A Cinebiografia de um Mito da luta pelos Direitos Civis nos EUA dirigida por um autor talentoso e também militante dos Direitos Civis e assumidamente Gay e de quebra Sean Penn no papel do protagonista. O filme tinha tudo para ser uma obra incendiária e transgressora, mas infelizmente não é. Os maneirismos estéticos de Van Sant estão presentes, mas para quem acompanhou os últimos trabalhos do Diretor vai perceber o quanto MILK é um filme bem comportado e além do mais, muito didático.  A interpretação de Penn é correta, mas não se compara com a devastadora performance de Mickey Rourke em O Lutador. Como documento o filme tem seu valor e até chega a discutir a questão da Homofobia com profundidade.  A San Francisco dos anos 70 é retratada com sutileza, Van Sant evitou mostrar as loucuras, a febre da Disco Music que aparece muito pouco em cena, mas a trama é eficiente, muitas imagens de arquivo aparecem na edição muito boa do filme. A trilha eu achei uó, sem comentários. Mas como já disse, é um documento muito importante. Faltou mais coragem ao Diretor, coragem de se lançar ao abismo. Parece até que foi contratado e exerceu um trabalho burocrático. Mesmo assim vale a pena conferir. No final aparecem textos pequenos sobre todos os personagens do filme. A morte de Milk é filmada com muito estilo, talvez a melhor sequência do filme.

Escrito por Marcelo Carrard às 00h00
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