AFINAL O QUE FAZ DE UM FILME UM CLÁSSICO ?

Sexta passada revi um dos filmes mais divertidos dos anos 80: MARRIED TO THE MOB aka DE CASO COM A MÁFIA, em uma Sessão chamada “Novos Clássicos”, do Telecine Cult. Segundo os programadores desse canal, filmes lançados em média há 20 anos atrás, são considerados clássicos, mas o curioso é que os filmes que passam nessa sessão são produções americanas de forte acento Pop, parece um desfile do catálogo da finada CIC Vídeo... O tempo é um dos fatores mais importantes para que uma obra de arte tenha seu poder de permanência praticamente intacto. No já citado DE CASO COM A MÁFIA, ainda é muito estimulante para os sentidos, sequências como a do casal de protagonistas se acabando no Bar de MPB ao mesmo tempo que vemos um alucinado tiroteio em um Drive Thru. A emoção ainda é um elemento primordial.
A divisão entre Clássico e Popular, mais presente na música, quando chega ao Cinema percorre outros caminhos. A descoberta ou redescoberta de cinéfilos e críticos já consagrou autores injustiçados como Hitchcock que fazia um cinema considerado popular e sem méritos artísticos. Os filmes Giallo quando renasceram via DVD passaram pelo mesmo processo, se nos anos 60 e 70 esses filmes eram considerados populares, quase marginais, agora ganham o status de clássicos e de outro label famoso: Cult. Mas Cult e Clássico são a mesma coisa ? Para mim sim.
Obras que na época de seu lançamento foram atacadas violentamente tiveram o tempo a seu favor e renasceram como clássicos absolutos, como no caso de CANNIBAL HOLOCAUST, que visto sem preconceitos se revela um grande filme, um metadocumentário que vai do naturalismo mais absoluto até a teatralização da barbárie em uma experiência inesquecível, um teste de força e coragem para os olhos que quando vencido se torna transformador para sempre... E em um salto estético radical é incrível como filmes de uma simplicidade formal se tornam clássicos quase mitológicos como no caso de CASABLANCA. Filmes como MALPERTUIS já estão em um outro patamar por seus mistérios, aliás é o “mistério”, tão bem representado por Fellini, que o tornou um Clássico. Kubrick e Coppola tornaram o Clássico um meio para suas representações tão grandiosas do Cinema. Dos extremos de um Miike, ao sublime de um Oshima em filmes como O TÚMULO DO SOL aka THE SUN’S BURIAL e O IMPÉRIO DOS SENTIDOS elevam o que seria o Clássico a categorias muito mais elevadas...
