Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


30/07/2009


SALON KITTY: MUITO ALÉM DO NAZIEXPLOITATION

Dentro da vasta filmografia Exploitation muitos diamantes estão ocultos, principalmente pela carola e conservadora crítica mais oficial e burocrata. A importância de muitos títulos fica clara com as sensacionais edições em DVD que saem na Europa, na Ásia e nos EUA, por aqui, nada, claro...

Um dos meus sonhos de consumo é o DVD com a versão restaurada e sem cortes do belo SALON KITTY, dirigido em 1978 pelo Mestre: TINTO BRASS. Pouco antes de seu popular e polêmico: CALÍGULA. Salon Kitty é muito mais do que um simples Naziexploitation. Bruno Mattei cometeu os dele, existe a excelente série: ILSA, mas Salon Kitty do Brass é especial por sua beleza, por sua autoria sem perder o caráter de denúncia contra um Regime de Exceção. Em um elenco encabeçado por Helmut Berger e Ingrid Thulin e com Direção de Fotografia de Silvano Ippoliti, que colaborou com Brass em Calígula, o filme conquista ares de “Cinema de Arte Europeu”. Brass sabe, como poucos, filmar as mulheres e suas composições de cenas com um acento mais erótico, beiram o sublime. Grande Tinto Brass, um esteta de primeira linha, um autor ousado, atrevido, que merecia um maior reconhecimento da crítica e do público.

 

Escrito por Marcelo Carrard às 10h40
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

27/07/2009


AFINAL O QUE FAZ DE UM FILME UM CLÁSSICO ?

Sexta passada revi um dos filmes mais divertidos dos anos 80: MARRIED TO THE MOB aka DE CASO COM A MÁFIA, em uma Sessão chamada “Novos Clássicos”, do Telecine Cult. Segundo os programadores desse canal, filmes lançados em média há 20 anos atrás, são considerados clássicos, mas o curioso é que os filmes que passam nessa sessão são produções americanas de forte acento Pop, parece um desfile do catálogo da finada CIC Vídeo... O tempo é um dos fatores mais importantes para que uma obra de arte tenha seu poder de permanência praticamente intacto. No já citado DE CASO COM A MÁFIA, ainda é muito estimulante para os sentidos, sequências como a do casal de protagonistas se acabando no Bar de MPB ao mesmo tempo que vemos um alucinado tiroteio em um Drive Thru. A emoção ainda é um elemento primordial.

A divisão entre Clássico e Popular, mais presente na música, quando chega ao Cinema percorre outros caminhos. A descoberta ou redescoberta de cinéfilos e críticos já consagrou autores injustiçados como Hitchcock que  fazia um cinema considerado popular e sem méritos artísticos. Os filmes Giallo quando renasceram via DVD passaram pelo mesmo processo, se nos anos 60 e 70 esses filmes eram considerados populares, quase marginais, agora ganham o status de clássicos e de outro label famoso: Cult. Mas Cult e Clássico são a mesma coisa ? Para mim sim.

Obras que na época de seu lançamento foram atacadas violentamente tiveram o tempo a seu favor e renasceram como clássicos absolutos, como no caso de CANNIBAL HOLOCAUST, que visto sem preconceitos se revela um grande filme, um metadocumentário que vai do naturalismo mais absoluto até a teatralização da barbárie em uma experiência inesquecível, um teste de força e coragem para os olhos que quando vencido se torna transformador para sempre... E em um salto estético radical é incrível como filmes de uma simplicidade formal se tornam clássicos quase mitológicos como no caso de CASABLANCA. Filmes como MALPERTUIS já estão em um outro patamar por seus mistérios, aliás é o “mistério”, tão bem representado por Fellini, que o tornou um Clássico. Kubrick e Coppola tornaram o Clássico um meio para suas representações tão grandiosas do Cinema. Dos extremos de um Miike, ao sublime de um Oshima em filmes como O TÚMULO DO SOL aka THE SUN’S BURIAL e O IMPÉRIO DOS SENTIDOS elevam o que seria o Clássico a categorias muito mais elevadas...

Escrito por Marcelo Carrard às 12h30
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil

Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, CONSOLACAO, Homem, de 36 a 45 anos, English, Italian, Cinema e vídeo, Arte e cultura
Outro - mcarrard@uol.com.br

Histórico