BASTARDOS INGLORIOS

Esse era para ser o sétimo filme de Quentin Tarantino a estrear por aqui, mas a pataquada da Europa Filmes que se apoderou de DEATH PROOF, fez com que Bastardos Inglorios fosse o sexto. São 2 horas e 40 minutos do mais puro cinema, um deleite autoral hipnótico como poucas vezes tive o prazer de me confrontar. Tarantino fazendo aparentemente um filme de guerra parece estranho, mas não é. Bebendo das fontes sagradas do Cinema Italiano de Gênero, feito por mestres como Umberto Lenzi, Tarantino fez seu filme mais maduro e ousado, com diálogos quase todo o tempo, em inglês, francês, alemão e italiano, um suicídio para quem pensa em fazer grandes bilheterias nos EUA, onde as legendas são quase um “crime”. O filme é dividido em capítulos, como na dobradinha Kill Bill. Já no primeiro somos presenteados com uma aula de direção cinematográfica onde aparece em cena o Oficial da SS visitando uma fazenda atrás de judeus escondidos. Brad Pitt parece estar se divertindo e muito a vontade nos brindando com diálogos muito divertidos.Os caminhos das personagens vão se cruzando de maneira engenhosa no decorrer do filme. A violência surge em doses pequenas, de escalpelamentos até os clássicos tiroteios. O destino do grupo de soldados judeus se cruza com a dona de um cinema em Paris onde será exibido um filme nazista e Hitler estará na platéia. A cena onde os soldados americanos se fingem de italianos é sensacional e um deles é batizado com o nome de: ANTONIO MARGHERITI, outro diretor italiano genial, podre de picareta, mas genial. As citações aos clássicos B italianos aparecem da formatação dos créditos, no uso de um logotipo antigo da Universal e nas belas músicas que compõem a trilha sonora do filme.
Sofisticadas citações do Cinema Alemão da Era Weimar, mais conhecido como Expressionista, e o Cinema de Propaganda Nazista aparecem na figura de um crítico de cinema. As surpresas e reviravoltas são muitas. No final da sessão a platéia aplaudiu entusiasmada.A principal personagem feminina se chama Emanuelle, o que já é uma homenagem ao clássico do erotismo, mas sua função de vingadora remete a Emanuelle de Joe D’Amato, não a Black, mas a loira de Emanuelle e Françoise.. È sensacional e surpreendente a cena em que Emanuelle se produz para a sessão de cinema nazista ao som do tema de Cat People, a refilmagem, cantado por David Bowie, em uma atmosfera que remete aos Naziexploitation italianos.A vasta coleção de filmes em película que aparece no cinema, remete a própria coleção particular de Tarantino que, ao contrário de nós, pobres mortais, que temos nossos filmes em DVD, ele tem em película, e os exibe em uma sala de projeção particular em sua “choupana", mas ele é o cara, ele pode. É interessante acompanhar o crescimento de Tarantino como autor, agora ele já é realmente um autor.Está cada vez mais difícil de eu sair de casa ultimamente, mas essas estréias recentes merecem, e ainda tem o DISTRITO 9 que chega na semana que vem.



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