As chuvas em São Paulo já duram mais de quarenta dias, sempre começando depois das 17 horas, pontualmente. Mesmo assim, com problemas de trânsito e tantos outros obstáculos, nos reunimos ontem no CINESESC para mais uma Sessão Comodoro, onde foi exibido o filme de Alberto Cavallone: O HOMEM, A MULHER e A BESTA, uma Obra Prima redescoberta recentemente por críticos e cinéfilos europeus através do lançamento em DVD do filme. O Carlão Reichenbach classificou o Cinema de Cavallone como uma mescla entre Buñuel e Pasolini, de fato esses autores parecem ter sido uma influência direta, mas o filme de Cavallone vai além, transcende os limites mais óbvios da representação do surrealismo no Cinema, O Homem, A Mulher e a Bestá é uma rara obra de arte, misteriosa, delirante, onde o corpo dos homens e das mulheres pulsam em seus desejos reprimidos ao mesmo tempo em que uma câmera documental registrra os festejos religiosos na pequena cidade. O preparo dos alimentos, a carne de frangos, as vísceras se fundem na montagem genial do filme, ao delírio dos corpos em seu êxtase amoral e transgressor. A trila sonora excelente cria uma transposição incrível do clássico ao popular na cena do baile que se mescla ao casal se devorando em um ato sexual desesperador e ao mesmo tempo libertador. A cena da mesa de sinuca parece ter influenciado Lucio Fulci em seu obscuro Naziexploitation: I Fantasmi di Sodoma, feito nos anos 80 e também citado em seu “Filme Colagem”: Cat in the Brain.. Ainda estava impactado com o poderoso filme de Fernando Di Leo: 20 Anos, exibido na sessão passada, e agora me encontro em estado de puro encantamento com esse surpreendente filme de Cavallone, feito há mais de 30 anos e que continua extremamente moderno, transgressor, muito mais relevante como Obra de Arte do que muita bobagem que os novos críticos costumam super estimar atualmente...
Para a Sessão Dupla do Comodoro dia 17, quarta feira de cinzas, estão programados os raríssimos filmes: IL CRISTO PROIBITO de CURZIO MALAPARTE e GRADIVA, filme erótico do autor do livros que inspirou o clássico: O Ano Passado em Marienbad, de Alain Resnais.
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