
A travessia por meu inferno astral tem sido de tormenta, angústia e um certo medo do que virá quando o sol chegar em meu signo. Para os céticos parece tolice mas todo ano é assim, e nesse ano particularmente a turbulência é grande. Meu melhor combustível para amenizar tudo isso são os bons filmes, eles sempre me encantam, me trazem paz, os extremos principalmente... Ontem, na quarta feira de cinzas rolou a Sessão Dupla Especial do Comodoro, em meio a uma chuva absurda que alagou a cidade. Os filmes foram GRADIVA, de Alain Robbe Grillet, que anunciei por aqui, e no lugar de O Cristo Proibido, lançado recentemente pela PLATINA FILMES, passou o perturbador filme de ANDREJ ZULAWSKY: SZAMANKA. Infelizmente a Vivi e o Edu não apareceram, o Hugo viu só o primeiro filme e o Thiago Colás, a Laura Cánepa e o Caraça viram os dois filmes, numa maratona difícil mas prazerosa. GRADIVA é um trabalho sensível sobre os devaneios oníricos de um homem no Marrocos e diversas figuras femininas representadas com texturas quase pictóricas que remetem ao Barroco e ao Neoclássico em composições de rara beleza e refinado erotismo. Pinceladas de Sade e das narrativas das Mil e Uma Noites permeiam todo o filme, um tanto erudito mas absolutamente belo...
Já o filme de ZULAWSKY surgiu como uma tempestade de horror e sombras mergulhando os espectadores em um mar de xamanismo, histeria, sexualidade mórbida e desesperada onde a luz raramente se faz. O Carlão comentou que o filme ficou conhecido na Polônia como: “O Ultimo Tango em Varsóvia”, um apelido bem válido. A relação auto destrutiva do casal e as inspiradas cenas de sexo são reprentadas com uma força grandiosa, aliada pela trilha sonora que aparece como narradora dessa trama barroca onde o sagrado e o profano andam juntos, culminando em uma inusitada cen de canibalismo. Comparado com POSSESSÃO, SZAMANKA é um filme menos redondo e muito mais fragmentado. Polêmico, assustador, genial, foi um prazer finalmente conhecer esse filme que já ouvia falar há tempos mas nunca havia visto. Toda cultura repressora da Polônia, um dos países mais conservadores e preconceituosos do mundo, está latente naquele véu de trevas que envolve as personagens em sua angústia eterna. Na saída encontrtei o Edú Aguilar que eu não via há tempos. Foi uma noite muito especial, voltei para casa melhor do que eu saí.
Finalmente chegou o dia em que pode se achar o DVD de CANNIBAL HOLOCAUST, um dos filmes mais importantes e geniais da História do Cinema, para venda e locação no Brasil. Graças ao heróico empenho de um sêlo independente, a PLATINA Filmes, que está chegando aos poucos no mercado com lançamentos importantes e que merece todo o nosso apoio, por sua coragem e pelos seus bons serviços ao Cinema. Enquanto isso aquela outra distribuidora...

Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, CONSOLACAO, Homem, de 36 a 45 anos, English, Italian, Cinema e vídeo, Arte e cultura
Outro - mcarrard@uol.com.br