
Certa vez o Carlos Thomaz Albornoz comentou que se ele quisesse acabar com a tradicional Sessão Raros, em Porto Alegre, era preciso apenas exibir a versão uncut de AFRICA ADDIO, Documentário Mondo Clássico lançado em 1966 por: GUALTIERO JACOPETTI e FRANCO PROSPERI. Realmente o filme é um desafio para os olhos mais sensíveis, mas tem momentos soberbos em sua pretensão de mostrar um painel geral da situação africana nos anos 60, suas lutas anticolonialistas, a barbárie, a desigualdade e o caos. A sequência da Caça á Raposa, feita por colonizadores escoceses em plena África é uma amostra dos absurdos do colonialismo europeu pois como não existem raposas na África, um nativo do Quênia faz o “papel” do animal a ser caçado. As longas cenas de ataques aos animais selvagens são absurdas em seu realismo trágico, principalmente na morte da fêmea enfurecida de um elefante desesperadamente tentando salvar seu filhote, a maneira como ela levanta as orelhas, é tudo muito assustador. O ataque ao hipopótamo também tem muito impacto. Para quem se chovou com a “cena da tartaruga” em Cannibal Holocaust, nem imagina os extremos que aparecem em AFRICA ADDIO. Mas os diretores mostram que nem tudo está perdido e documentam o trabalho de ecologistas britânicos lutando para salvar os animais selvagens africanos da fúria dos caçadores. As sequências de guerras civis, corpos mutilados e outras atrocidades estão no filme que tem uma excelentre trilha sonora do Mestre: RIZ ORTOLANI e uma fotografia arrebatadora de: ANTONIO CLIMATI que soube fotografar sem deslumbramentos e clichês, as belas e variadas paisagens do continente africano.
Grande filme esse: AFRICA ADDIO. Um clássico obrigatório para fãs e pesquisadores de documentários. É impressionante o material que esses doidos conseguiram, naquela época e em condições muitas vezes precárias. Uma África despida em sua beleza e em sua crueldade. Que merece ser desvendada.



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