Mondo Paura - Um Blog para Cinéfilos Extremos de Marcelo Carrard


06/05/2010


A NOITE DE NAGISA OSHIMA NA SESSÃO COMODORO

Foi a realização de um sonho cinéfilo. Se no sábado pude finalmente ver: NINFAS DIABÓLICAS de JOHN DOO, na noite de ontem, quarta, tive a inesquecível experiência de ver: O TÚMULO DO SOL de NAGISA OSHIMA na telona sagrada do Cinesesc em uma     inesquecível Sessão Comodoro. O triste foi não encontrar muitos dos amigos que eu esperava. Para resumir, só encontrei o Thiago Colás, o Hugo e o Leopoldo. Uma pena, achava que ia lotar pela importância e raridade da Obra-Prima que seria projetada. Os fiéis que estiveram lá foram abençoados pelas imagens sublimes desse filme surpreendente, perturbador e genial. É incrível que ele tenha sido lançado em 1960. Sua ousadia formal simboliza de maneira contundente a Força magistral da Nouvelle Vague japonesa, que convenhamos é muito mais transgressora e interessante do que a francesa. Prefiro Oshima, Yoshida, Imamura e Suzuki do que o pedantismo hermético de Godard.

O Túmulo do Sol influenciou cineastas no mundo inteiro, inclusive no Brasil, como exemplo: O SOL SOBRE A LAMA de ALEX VIANY, 1963. Oshima nos mostra um cenário sombrio, com as chagas da guerra ainda aparentes e onde seus personagens lutam para sobreviver em meio a fealdade de seu mundo miserável. Ladrões, assassinos, prostitutas, vigaristas se entredevoram numa  rotina de agressão, ódio e desejo. A protagonista feminina surge como uma Lilith, destruindo a todos com seus jogos de perversa sutileza. A imagem do sol aparece  em takes de bela composição em contraste ao mundo sombrio onde a luz ilumina partes dos rostos das personagens, muitas vezes. Por falar nos rostos, o filme tem closes desconcertantes, quase expressionistas. A sequência do casal que transa após cometer um homicídio é de um virtuosimo absoluto. A sequência dos homens lutando sobre os trilhos do trem idem. A câmera de Oshima faz registros de grande ousadia estética para a época e dentro de sua simplicidade consegue imprimir uma grande e sofisticada autoria.

Desde o princípio fica claro que em O Túmulo do Sol não existem heróis. É inevitável a condução dessas personagens ao seu abismo trágico. A Direção dos atores nunca é over, é contida até se compararmos com o Cinema Japonês Clássico. Violento, brutal mas embebido de uma estranha poesia, O Túmulo do Sol é uma “tijolada” na cabeça do espectador, como bem comentou o Hugo no final da sessão...

Para as próximas sessões: BEATRICE CENCI, o filme que LUCIO FULCI mais se orgulha de ter feito e o excelente: ARRIVEDERCI AMORE CIAO, de MICHELE SOAVI...

Escrito por Marcelo Carrard às 16h31
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02/05/2010


TUDO SOBRE A SESSÃO HISTÓRICA DE: “NINFAS DIABÓLICAS”  NO CCBB DE SÃO PAULO

O destino realmente me surpreende muitas vezes. Nesse sábado do Dia do Trabalho estava programado um namoro virtual no MSN, pois estou de rolo com um urso de outra cidade e a noite iria em um aniversário que fatalmente iria descambar em alguma balada. MAS, tudo mudou com um telefonema de minha querida amiga ANDRÉA ORMOND me conclamando para uma sessão imperdível de um filme que eu sonhava em ver há pelo menos uns 20 anos, que nunca passou no Canal Brasil e muito menos foi lançado em VHS por aqui: NINFAS DIABÓLICAS, do genial JOHN DOO. Além da apresentação do filme em uma cópia nova, após a sessão rolou um debate com a presença de Patrícia Scalvi e o montador do filme, o lendário: MASSIMO BARROS. O filme  narra o encontro de um pacato empresário com duas jovens vestidas de estudantes  em uma estrada. Esse encontro desencadeia uma série de fatos insólitos regados a erotismo e horror com belas locações na praia, em Ilha Bela. A fotografia do Candeias é de inspirada beleza nas cenas externas. Os devaneios do homem enfeitiçado pelas ninfas se prolonga, me remetendo muito aos filmes do Mestre Jesus Franco. O delírio, a vertigem dos corpos conduzem ao inevitável abismo. Um filme raro em todos os sentidos que já mostrava a genialidade de Doo em seu primeiro longa como diretor.. O Massimo Barros comentou entre muitas coisas, da onipresença do mar nos filmes da Boca do Lixo Paulistana, muito maior do que as produções cariocas por exemplo. Nos filmes de Jean Garret onde ele, ao lado de Ody Fraga explorou a temática fantástica: MULHER MULHER, EXCITAÇÃO e A FORÇA DOS SENTIDOS, o mar é o cenário principal, em elemento estrutural do roteiro...

O debate foi tranqüilo, longo e as memórias da Patrícia e do Massimo encantaram a todos. O clima nostálgico se instaurou e por duas horas recordamos os tempos dourados da Boca do Lixo, quando o Cinema Brasileiro tinha alma, tinha corpo, sangue e coração. Encontrei amigos muito queridos que compartilharam essa emoção, esse clima de descoberta de um filme perdido, que mais parecia uma lenda, um mito inatingível.... Estavam lá o Edú Aguilar, a Laura Cánepa, o Leandro Caraça e muitos outros cinéfilos genuínos, que realmente amam incondicionalmente o Cinema  de Gênero. Retornei depois das nove da noite em casa. O aniversário não rolou, mas o MSN foi até a uma da manhã, só interrompi pois tinha que passear com a Dorothy. Foi um sábado memorável.

Escrito por Marcelo Carrard às 18h21
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