A NOITE DE NAGISA OSHIMA NA SESSÃO COMODORO

Foi a realização de um sonho cinéfilo. Se no sábado pude finalmente ver: NINFAS DIABÓLICAS de JOHN DOO, na noite de ontem, quarta, tive a inesquecível experiência de ver: O TÚMULO DO SOL de NAGISA OSHIMA na telona sagrada do Cinesesc em uma inesquecível Sessão Comodoro. O triste foi não encontrar muitos dos amigos que eu esperava. Para resumir, só encontrei o Thiago Colás, o Hugo e o Leopoldo. Uma pena, achava que ia lotar pela importância e raridade da Obra-Prima que seria projetada. Os fiéis que estiveram lá foram abençoados pelas imagens sublimes desse filme surpreendente, perturbador e genial. É incrível que ele tenha sido lançado em 1960. Sua ousadia formal simboliza de maneira contundente a Força magistral da Nouvelle Vague japonesa, que convenhamos é muito mais transgressora e interessante do que a francesa. Prefiro Oshima, Yoshida, Imamura e Suzuki do que o pedantismo hermético de Godard.
O Túmulo do Sol influenciou cineastas no mundo inteiro, inclusive no Brasil, como exemplo: O SOL SOBRE A LAMA de ALEX VIANY, 1963. Oshima nos mostra um cenário sombrio, com as chagas da guerra ainda aparentes e onde seus personagens lutam para sobreviver em meio a fealdade de seu mundo miserável. Ladrões, assassinos, prostitutas, vigaristas se entredevoram numa rotina de agressão, ódio e desejo. A protagonista feminina surge como uma Lilith, destruindo a todos com seus jogos de perversa sutileza. A imagem do sol aparece em takes de bela composição em contraste ao mundo sombrio onde a luz ilumina partes dos rostos das personagens, muitas vezes. Por falar nos rostos, o filme tem closes desconcertantes, quase expressionistas. A sequência do casal que transa após cometer um homicídio é de um virtuosimo absoluto. A sequência dos homens lutando sobre os trilhos do trem idem. A câmera de Oshima faz registros de grande ousadia estética para a época e dentro de sua simplicidade consegue imprimir uma grande e sofisticada autoria.
Desde o princípio fica claro que em O Túmulo do Sol não existem heróis. É inevitável a condução dessas personagens ao seu abismo trágico. A Direção dos atores nunca é over, é contida até se compararmos com o Cinema Japonês Clássico. Violento, brutal mas embebido de uma estranha poesia, O Túmulo do Sol é uma “tijolada” na cabeça do espectador, como bem comentou o Hugo no final da sessão...
Para as próximas sessões: BEATRICE CENCI, o filme que LUCIO FULCI mais se orgulha de ter feito e o excelente: ARRIVEDERCI AMORE CIAO, de MICHELE SOAVI...


Leia este blog no seu celular